Literalmente. A meca do rock alternativo na internet, a Woxy, está fechada desde o 15 de setembro por falta de grana. A 97X era uma estação de Cincinatti que começou nos anos 80 na onda do então chamado "adult rock", cobrindo o cenário criado pelas pontas de seta Pixies e Sonic Youth, entre outros: as bandas independentes americanas e inglesas. As guitarras garageiras foram disseminando por trás do glitter da New Wave, e a 97X (chamada então "The Future of Rock'nRoll") fazia o trabalho hercúleo de garimpar bom rock'n'roll na era pré-mp3. De todo o fuzz sobre as famosas tapes caseiras feitas por nerds de rock alternativo mostrado no filme Alta Fidelidade a WOXY foi uma espécie de epítome durante todos os anos 80 e 90. Em 98 ela virou WOXY.com, servindo de carro-frente para o mp3. Em 2004 foi abandonada por seus fundadores, apenas para ser retomada no dia seguinte por entusiastas. Mas agora parece que é definitivo. A falta de grana e os custos de se manter uma infra destas (foto do estúdio deles acima) parece finalmente ter engolido o ideal de boa música. Parece.
Um empresário da internet, Bill Nguyen (parente do famoso jogador de poker?) já afirmou ter interesse em reviver a WOXY, segundo qual modelo ninguém sabe. Tomara que dê certo. 90% das músicas de rock moderno daqui de casa vieram da WOXY. Foram noites e noites de sintonia ininterrupta. Vou fazer figas.
O cumpadre Felipe Varne me convidou para um blog de futebol. Um blog de futebol, eu que já escarrei no esmeralda quadrangular do esporte-maior!
Fato, depois que São Caetano subiu, desceu, Serginho morreu e outras, meu interesse na gorduchinha aumentou. Acompanhei a Copa com avidez e o Brasileiro já tem prioridade sobre documentários do Discovery Channel aqui em casa há uns tempos. Discussões com meu pai corinthiano têm ficado mais intensas, e minhas idas ao estádio mais freqüentes. Falta mesmo perder vergonha na cara e me atirar de cabeça nas peladas de fim de semana com a molecada da escola onde trabalho, mas a perspectiva de levar um olé daqueles magricelas de 6ª série ainda me assombra. Minha tradição familiar é de dirigentes, e não de atletas; meu tio fundou praticamente metade dos times de futebol amador da cidade, e conhece glória e decadência por isso. Il Bianezzi somos capos, chefões, não mulambos.
O nome é Tesouras Voadoras. Dizem que o Vinnie Jones, malandrão da foto acima, já foi e aprovou.
Esta segunda fiz 22 anos. Vinte e dois. Vintedois.
Não tive "parabéns", nem feriado, nem velinhas. Poucos amigos, menos abraços ainda. Nenhum parente da Itália me ligou. Não choveu. Não tirei fotos; mas do quê? Poucas cuecas, camisetas que nunca usarei, meias a mais. Nenhum brinquedo.
Faz sentido. Vintedois não é nada. Vintetrês então, puf! Estou desgastado de não-gastar-me. Estou cansado de não sei o quê, órfão de pais vivos, grávido de futuro. Sou o retrato encarnado da esquizofrenia pós-moderna, um parágrafo de Deleuze queimado em um cigarro, sou isso mesmo, um parágrafo. Tanto melhor fosse eu coisa nenhuma, gente de ego pequeno, desses que andam olhando pro chão. Tanto melhor fosse mudo (não surdo, mudo) como tanto sonhei em minha infância, e gastar horas brincando com meus amigos ("essa brincadeira de novo, Gustavo?") de apostar quem ficava mais tempo calado. Poderia ganhar. Ou ao menos poder trabalhar e construir algo, linear, progressivo.
E saber, por deus, quem eu sou a partir disso. Aos 8, 12, 16, 22. O cara legal do canto, meio calado, o esportista, o nerd, o rebelde punk, o poeta romântico, o malandro pegador, o técnico em informática, leitor assíduo, fitter-happier indie-rock post-war post-teen half-bucked lone guy. O mau-humorado da turma. O que não curte balada. O filho da puta. O egoísta. O jogador. O ingênuo. Menino baixoto da periferia, que anda pela Rua Brigadeiro Galvão sozinho às quatro da manhã. O menino do cachimbo. O metido a acadêmico. O que não quer trabalhar. Aquele que tá aprendendo árabe? É, aquele que tem aquela menina. Aquele que namora. Aquele que não namora. O que tá sempre engomadinho, de camisa fechada até o pescoço? Não, aquele que tem uma camiseta do Sid Vicious rasgada! Ah, o metido a moderninho? Não, aquele sempre sem grana, que precisa trabalhar de sábado e domingo. Pô, mas ele tem várias coisas caras! Aquele que faz Relações Industriais. Barbudo-sem-barba, franjinha-careca. O ranheta que chora no canto. O chato reclamão. O vegetariano não-panfletário. O ciclista que não sabe andar sem as mãos. Virginiano que não acredita em horóscopo. O ateu s. but not r. Que jamais admitiu perder qualquer pessoa que amasse, amor ou amigo. Que perdeu quase todos, e vai perder muito mais. O perdedor. Que quer viver. Que quer morrer. O cara brega que tem um blog. Quem?
Desde criança tenho sérios problemas com Orfeu. Sempre achei que fosse insônia. Hoje a internet, essa grande Mãe dos Hipocondríacos, me ensinou que eu tenho DSPS - Delayed Sleep Phase Syndrome. O site diz:
"Delayed sleep phase syndrome results from a desynchronization between the patient's internal biological clock and the external environment. Unlike jet lag, this desynchronization is not activated by travel or change in external environment. Rather, the patient's propensity to fall asleep is simply "delayed" in relation to that of the general public. Subsequently, a patient with DSPS is desynchronized with the routine that governs most of his or her life."
Eu não gosto de teatro. Não gosto. Todo mundo diz que gosta de teatro. Eu não. A maioria que diz que gosta de teatro não vai muito ao teatro. É que gostar de teatro é cool.
Gostar de jazz é cool também. Eu gosto de jazz. Todo mundo diz que gosta de jazz. A maioria que diz que gosta de jazz não ouve muito.
Eu descobri um lugar que toca jazz às quintas-feiras aqui perto de casa. Excelentes músicos, preço bacana (cincão), pessoal legal que te oferece bebidas e comida. Aquele clima fumacinha, luz fraca, lugar pequeno, bebop ta-dum buts tá-bum. Estou convidando todos aqui. Ao menos descobrem, afinal, se gostam de jazz ou não.