Estou aprendendo a odiar fotos. Fotos de momentos tristes me deixam triste. Fotos de momentos felizes me deixam com saudade e triste. Fotos de pessoas distantes o mesmo.
Quero voltar a viajar. Quero voltar a ter fim de semana.
Finalmente comecei a ler Walden sério. É um monstro, o livro já mudou minha vida com poucos capítulos lidos entre um relatório e outro na Nestlé. Foi decisivo para minha demissão e meus planos de viajar sozinho e com pouco dinheiro por um longo período.
Não tem porquê. O livro não é tão bom assim. Alguns o classificariam até como "piegas". Thoreau estaria apenas criando os chavões para os hippies nos anos 60. Para o inferno. Cada frase do livro é escrita como se fosse dita por mim há mil anos atrás, e lê-lo é lembrar de coisas ancestrais que na verdade eu nunca soube.
Estabeleci rituais complexos para conseguir ler o livro de forma eficiente. Estou lendo a versão em inglês, usando o dicionário de quando em vez para poucas palavras importantes para o parágrafo (bem, é inglês do século XIX) em lugares e situações específicas. Na escola onde trabalho, às 9:38, quando o sol começou a queimar o boldo do chile do jardim. No parque perto de casa, no fim da tarde, quando apenas os velhos e os casais desesperados (nunca os felizes) freqüentam a parte mais afastada do centro, no bosque. Na casa da minha avó, desde que a louça esteja sendo lavada com estardalhaço, na rede.