worry not, o disappointed ones.

vou mudar a cara/espírito desse blog já já.
20060430::


As últimas palavras de Kierkegaard foram "Arrebata-me".

E você não consegue ver.
Maldição, tantas coisas que não hão de ser vistas, nem tocadas, nem sequer sentidas. Que são então?

Poe, Yeats e Lorca. (boa companhia esta noite).

Mas você. Você não. Você é inédita. Menina inédita. Adeus, menina inédita.
Depois de tudo, só posso agradecer. E agradecer, que vida boa! Até na morte! (Até na morte, um padrão).
Só tenho mesmo a agradecer. Que boa vida, a minha.

Todo e tudo. Mas sempre. E sempre é quase sempre nada. Sou tão pequeno.


E o que você quer é tão grande. Tipo, a eternidade.
(não basta um momento?)

(morrerei, sim. veja só.)




Todos os almoços em família são extremamente conservadores. Todos os membros de família são conservadores, especialmente os tios e primos de classe média, de meia-idade, e meia-escolaridade.

Minha família não é exceção. Durante o último almoço, com a mesa cheia (uns 20 familiares), passou na TV aquela propaganda sobre como quem usa drogas financia o tráfico, o crime, e todas as barbaridades da modernidade. Meu primo, ponta-de-lança das discussões mais preconceituosas e hostis, logo comentou sobre a louvável iniciativa do anúncio. "Esses maconheiros tão acabando com o país. O drogadão não faz idéia de que mantém os traficantes nos morros, e depois vem um filho da puta me assaltar por causa do babaca que quer fumar um e ficar doidão." Todos concordaram.

Mas aí tem eu né. Geralmente fico quieto. Mas a hipocrisia desses anúncios de criminalização do usuário me irritaram demais, já há algum tempo.

"É interessante mesmo mostrar como funciona o tranporte de maconha e cocaína, pra conscientizar e tal. Mas você já viu quem fabrica seu tênis Nike? Alguma propaganda mostra as crianças da Indonésia em galpões mal-iluminados trabalhando 10 horas por dia por um dólar? Você deveria saber que seu Shox 12 molas financia a miséria em um nível talvez maior do que os usuários de drogas.

Ou talvez você devesse parar de colocar combustível na sua Eco-Sport. Posso te mostrar alguns números que mostram os mortos em conflitos envolvendo posse e defesa de poços de petróleo no Oriente Médio. Ou relatórios sobre a poluição atmosférica, ou desastres ambientais como o da Baía de Guanabara. Muita gente ficou sem comer os peixes dos quais subsistiam por causa daquilo ali. Não precisa ser do Greenpeace, que você odeia, pode ser de qualquer outra organização. Até da Petrobrás. Aliás, falando em cadeia de tranporte e produção, você já viu quem fez seu carro? Ou melhor, quem deixou de fazer, substituído por máquinas mais eficientes e baratas? Talvez o filho desses operários desempregados também estejam trabalhando com as drogas... Difícil pensar que você, sem usar nada, pode estar patrocinando o tráfico né?

Quem usa drogas financia um crime, sim. Mas esse seu bife aí, parece inofensivo né? O boi que morreu para você comê-lo precisou de um kilômetro de mata virgem desmatada para que você pudesse estar aqui engolindo-o agora. E 20 pessoas poderiam ter comido os grãos que mantiveram o boi, se ele foi criado em regime intensivo. Se foi criado em regime extensivo, como a maior parte do gado brasileiro, muito mais, se considerarmos os espaço do pasto usado para plantação de grãos e hortaliças. A vida para esses que estão mal-nutridos por aí é bem pior do que a dos chamados meninos do tráfico, que pelo menos têm necessidades básicas atendidas pelos traficantes. O conflito no campo, tendo como antagonistas os grandes latifundiários, em sua maioria criadores de gado, matou centenas e mantém outros milhares na miséria. E você, usuário de bife, sustenta isso."

Não houve quem concordasse, é fato. Na verdade, o almoço acabou mais cedo naquele domingo. Os familiares se recolheram nas redes e sofás para seu cochilo vespertino. Mas eu comi muito bem, como há tempos não comia.


d-_-b: Godspeed You Black Emperor - The Dead Flag Blues


20060424::


Às vezes olho pra esse blog e vejo tantas letras, tanta palavra, tanta coisa escrita, que até cansa.
20060420::



Radiohead no Brasil


Tô indo pra fila agora. De verdade.

Ah, e vou armado. Meu pai tem uma pistola; deve bastar para evitar tumultos como o que houve com o U2.

E se não der pra comprar vendo um órgão e compro na entrada, por R$ 10,000 ou R$ 15,000. Não importa. Tenho dinheiro guardado para uma emergência médica, eu gasto. Porque vai haver uma emergência médica de qualquer maneira se eu não for.

------

RADIOHEAD DIZ 'SIM' AO TIM FESTIVAL
Lúcio Ribeiro

Acenda sua vela indie. Chega de Londres e cai no colo desta coluna a informação de que a adorada banda inglesa Radiohead vai fechar nos próximos dias sua participação no Tim Festival 2006, o principal evento brasileiro de música pop, que ocorrerá em São Paulo entre outubro e novembro, data que pode ser marcada atendendo as necessidades de agenda do grupo de Thom Yorke.
Três festivais brasileiros estavam atrás do Radiohead, mas pessoa ligada à banda confirmou que as negociações só caminham em direção ao "festival da Monique Gardenberg", apurou esta coluna. O "negociador" inglês não sabia ao certo o nome do evento que carrega o nome de uma empresa de celular. Gardenberg é a produtora do festival carioca que anualmente reveza sua sede com São Paulo.
Agora realmente parece mesmo que vai. O maior desejo do Tim Festival há anos, o Radiohead nunca sequer aceitou ir além de uma simples consulta da disponibilidade da banda em excursionar por estes lados. Segundo o interlocutor da banda, os músicos já deram seu aval a uma pequena turnê latino-americana, que deve atingir ainda Argentina e México.

* Depois de anunciar uma curta série de shows em teatros em maio (todos com ingressos esgotados em minutos) e alguns festivais do verão europeu em agosto, o Radiohead vai aos poucos montando e anunciando sua grande nova turnê mundial. Nos últimos dias, apresentações no Canadá em junho e shows na França agosto foram confirmadas. O Brasil está nesta fila. O Tim Festival tem sua senha.

* Há meses o grupo está trancado em seu estúdio na Inglaterra gravando seu sempre muito aguardado novo álbum, desta vez o sétimo, e ainda não batizado e sem data de lançamento. Thom Yorke e amigos vêm mantendo os fãs informados postando notícias no site oficial da banda, www.radiohead.com, na seção Dead Air Space. Não está descartada a idéia de o Radiohead lançar as músicas novas apenas na internet.

* Aos poucos a banda vai saindo da toca e espalhando sua presença no mundo pop. Thom Yorke e o guitarrista Jonny Greenwood vão tocar em show beneficente no dia 1º de maio em um clube de Londres e os ingressos no eBay já atingem preços de 400 libras cada (cerca de R$ 1500). Yorke tem brigado publicamente com o primeiro-ministro inglês Tony Blair por questões econômicas. Nos EUA, o disco "OK Computer" (1997), a obra-prima pop do Radiohead, está ganhando pomposo tributo reggae em disco, num projeto chamado Radiodread. De volta à Inglaterra, a canção "Just", do longíquo álbum "The Bends", voltou há meses às paradas em deliciosa cover jazzy de Mark Ronson (www.myspace.com/markronson). O vídeo da música recém-estreou na Europa e nele mostra grafites dominando Londres. E Thom Yorke vai pôr músicas do Radiohead e de seu vindouro disco solo na trilha do já cultuado "A Scanner Darkly", adaptação da ficção científica de Philip K. Dick, que estréia em julho nos EUA e traz Kaeanu Reeves e Winona Ryder (nua) em versão animada.

* Chega aí, Radiohead!

20060406::



caribou diz:
tão dizendo por aí que nossa geração vai viver mais.

acho é que vão levar um susto quando começarmos a morrer.

.
de
forma
.
.
horrível.

Radiohead - A Wolf at the Door
Dance you fucker dance you fucker don't you dare don't you dare don't you
Flan in the face
20060405::


E nada melhor para contradizer o Maldito do Montparnasse do que um belo porre no DJ Club dando piti na pista ao som de "Everlong".

Yeah.
20060403::



1-2-3 CONTATO!

homer|velharia|fotolosers

This page is powered by Blogger. Isn't yours?
o