Bah, eu pareço uma colegial.
20060228::



Desabafo.

ãÑÃÉ. ÇáãÑÃÉ åí ÃäËì ÇáÅäÓÇä ÇáÈÇáÛÉ¡ ßãÇ ÇáÑÌá åæ ÐßÑ ÇáÅäÓÇä ÇáÈÇáÛ¡ æÊÓÊÎÏã ÇáßáãÉ áÊãííÒ ÇáÝÑÞ ÇáÍíæí (ÇáÈíæáæÌí) Èíä ÃÝÑÇÏ ÇáÌäÓíä Ãæ ááÊãííÒ Èíä Çá쾄 ÇáÅÌÊãÇÚí Èíä ÇáãÑÃÉ æÇáÑÌá Ýí ÇáËÞÇÝÇÊ ÇáãÎÊáÝÉ.
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Porra.




Precisamos aprender a votar com os palestinos.

É um absurdo dizer isso quando se observa o contexto histórico e as relações conturbadas entre o Oriente Médio e a democracia representativa, mas não se pode chegar a outra conclusão quando vemos nosso Brasil de partidos esquálidos e o novo governo palestino liderado pelo Hamas.

A Palestina era governada pelo partido conhecido como Fatah, um bastião da moderação e do diálogo com Israel. Também um bastião do desvio de verba e dos "presentinhos" recebidos de autoridades israelenses para aquietar esta ou aquela tendência potencialmente explosiva pra lá de Jerusalém-Leste. Eleição após eleição o partido se manteve no poder, mais por inércia do que por preferência política, até que um dia os palestinos... bem, não criaram qualquer ilusão de que o proto-governo marionete tolerado por Israel resolveria todos os seus problemas, mas resolveram guardar a Ak-47 atrás da porta por enquanto e se armaram de cinismo e curiosidade e bateram na porta do Hamas, o outro partido.

Este era o partido do ideal revolucionário, das mudanças radicais, do discurso inflamado. Deu-se que os palestinos acharam que talvez faria bem um pouco de mudança e deram o governo de presente para aqueles jovens impetuosos que gostavam de se encontrar na rua principal para trocar confidências e dicas sobre o novo modelo de metralhadora adaptada. Gostavam muito de verde também. Logo houve estardalhaço por todo o Oriente Médio, os sisudos vizinhos azuis, todos gordos e vestindo preto se sacudiram em suas camas, houveram enfartes, derrames cerebrais, e promessas de soltar seus cachorros sobre aqueles jovens. Os primos Levys da tão-longe-tão-perto América também esbravejaram. Era a bandeira verde da mudança no poder!


Conta-se que as praças de Ramallah viraram lugares populares para piadistas. Nas universidades em Gaza, estudantes e professores se encontram e dão risinhos contidos enquanto vêem os desfiles orgulhosos de seu novo governo. Os mais velhos e mais debochados se largam em gargalhadas, como se tivessem pregado a maior peça do mundo nos israelenses e também nos partidários do Hamas.

"As piadas sobre o Hamas já podem ser ouvidas em todo lugar", conta Bilal Al Shafi, professor de uma universidade local. "Depois, logicamente, virão as críticas e então a análise política". O cinismo palestino é aquele que enxerga a mudança sim, mas aquela que é construida pela sociedade, a longo prazo, e não por burocratas enternados ou islamitas apaixonados por si mesmo. De longe, observam com sincera alegria os aristocratas da Fatah chorarem e gritarem e os He-Mans super-perfeitos do Hamas atirarem seus fuzis para o alto. Não confiam em nenhum deles, mas estão felizes o suficiente em confundir seu próprio governo e o mundo todo.

Se tivéssemos, no Brasil, essa jovialidade, seríamos capazes de pregar as mesmas peças. Uma pena. Precisamos realmente aprender algo com os palestinos.


20060222::




Nunca gostei de "morno".

Hoje pensei como "está tudo morno" deixou de ser, nesses dias nublados e abafados, uma peculiaridade meteorológica. Depois pensei como "Morno" nunca foi de fato uma peculiaridade meteorológica, sendo no máximo uma temperatura de chuveiro. Que seja. Eu acho que morno é um bom adjetivo para meus dias nublados e abafados.

Viceja olhar para as nuvens desenrolando no céu. Espera-se uma chuva, obviamente. A dita, porém, não vem, e somos obrigados a nos contentar com uma garoa fina e irritante. O Sol então é um grande falsário, prometendo raios generosos e um bronzeado incrível, ficando porém escondido o dia todo. Eu odeio o sol de verão. Eu também tenho uma lista mental dos meus climas preferidos, e "morno" ocupa uma posição bastante subalterna. Maldito seja São Paulo e seu maldito trópico de Capricórnio. Maldito o clima ameno.

Pensei em ir pro Sul, sentir frio. Mas é longe e é caro. Pensei em ir pro Norte, talvez para o Rio, sentir calor, mas que diabos, eu odeio calor. E Rio e Carnaval e meus sentimentos atuais não são boas companhias no momento.

Lembrei do Jet-Set da minha sala, colegas e amigos que estão rodando o mundo nesse exato momento. Mais do que isso, lembrei de todas as pessoas no mundo ávidas por deixar sua cidadela invisível, o que representa uma fatia importante das pessoas de 20 anos que importam. Em um exercício raro de humildade, me coloquei aí também, e fiz toda uma análise de como nossa geração quer simplesmente abandonar tudo o que há de chato e perfeitamente tolerável em outras épocas por achar completamente intolerável o agora. Concordei perfeitamente (é sempre fácil concordar comigo) e me pus a escrever essa análise em uma folha, mas mesmo esse pensamento se mostrou novamente intolerável e eu o rasguei com pompa.

É esse o morno. É uma promessa do quente que nunca se cumpre, é um frio bastardo, sem pai mesmo, de 26° Celsius. Talvez qualquer lugar seja um bom destino, se for para evitá-lo, canalha.


20060220::



Rule Britannia


"Há um sentimento predominante na Inglaterra de que tornar um sanduíche interessante, atraente ou de algum modo agradável de comer é algo pecaminoso que só os estrangeiros fazem.

"Vamos fazê-los secos" é a instrução enraizada em algum lugar na consciência coletiva nacional. "Vamos fazê-los borrachudos. Se for preciso manter os malditos hambúrgueres frescos, lave-os uma vez por semana."

É comendo sanduíches em bares durante o almoço, aos sábados, que os ingleses procuram expiar sejam lá quais forem os seus pecados nacionais. Não sabem direito quais são esses pecados e nem querem saber, porque ninguém quer ficar sabendo muitos detalhes sobre seus pecados. Mas, sejam lá quais forem os tais pecados, são amplamentes expiados pelos sanduíches que eles se obrigam a comer.

Se há algo ainda pior do que os sanduíches são as salsichas que ficam expostas ao lado deles. Tubos infelizes, cheios de cartilagens, boiando em um mar de algo quente e triste, atravessados por um palito de plástico no formato de chapéu de um chef de cozinha - possivelmente uma homenagem póstuma a algum chef que detestava o mundo inteiro e que morreu, esquecido e solitário, entre os seus gatos numa escada dos fundos em Stepney."

-Douglas Adams, "So Long and Thanks for all the Fish".

Engraçado e despretencioso. É assim que metade da literatura mundial deveria ser. A outra metade eu deixo com Dostoiévski.

d-_-b: Babyshambles - I Love You but You're Green

20060217::


Computador quebrado de novo; é um menino doente.

Logo ele sara, tadinho.
20060214::



1-2-3 CONTATO!

homer|velharia|fotolosers

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