"Wine Buddy"


Funciona mais ou menos assim. Você me dá um bom vinho de presente para minha adeguinha pessoal localizada no meu quarto. Eu ponho uma etiqueta no vinho com a data e o nome de quem deu - só por ritual mesmo, como se eu fosse me esquecer... Daí eu envelheço o vinho por um tempo mínimo (dando por quem presenteou) e me comprometo a beber só com quem deu.

É como um aluguel de adega.

Estou esperando os pioneiros.
=)


20051230::



1969|2006


Well it's 1969 ok all across the usa
It's another year for me and you
Another year with nothing to do
Last year I was 21 I didn't have a lot of fun
And now I'm gonna be 22 I say oh my and a boo-hoo
It's 1969 ok all across the usa
It's another year for me and you
Another year with nothing to do
Another year with nothing to do
It's 1969
1969 1969 1969 1969 baby
And it's 1969 bayyyyyyybee
Baby
Baby
Baby
20051226::




"Mas você não quer seguir carreira acadêmica?"

Eu quero? Não sei. Pensei na Academia e me deu um aperto no coração pelo Ivan Illich, uma voz sadia e crítica do atual sistema. A Educação está cada vez mais morta, dando seu lugar ao avanço decisivo da Formação. Não se mistura "educar", trocar, experimentar, ouvir e dizer, com "formar", construir, qualificar. Enquanto não existem signos seguros da primeira, a segunda é orgulhosamente representada pelo Curriculum, pelo histórico de signos que se assume, se compra e se ganha. Três cursos de línguas, intercâmbio no exterior, mestrado com o Professor X - altamente qualificado, decerto. Você não tem realmente nada a dizer, mas é atribuido ao seu conjunto de signos o adjetivo de "qualificado", e você se encontra no nível necessário para passar para seus alunos... bem, alguma coisa, não se sabe o quê. O que importa é que ao fim do seu "curso" um grupo de brilhantes pessoas como você, se espelhando nos seus méritos e vitórias, terá também um conjunto de signos orgulhosos e totalmente desprovidos de sentido.

Baudrillard é um teórico importante desse processo. Diz ele, em seu À sombra das maiorias silenciosas: "Se o que lhes dá são mensagens, eles querem apenas signos, eles idolatram o jogo de signos e estereótipos, idolatram todos os conteúdos desde que eles se transformem em uma seqüência espetacular." Espetáculo de fato, pois do rito do trote ao rito da formatura, pouco se lida com a significância e sentido que deveriam proliferar aí no meio; quando a pauta se torna o "bolo de saber" que é vendido a um preço altíssimo, se perguntam primeiro quantas velas acesas terão sobre este, e se será possível incluí-lo no Curriculum. Se antes o conflito principal era entre forma e conteúdo, hoje a primeira penetrou no segundo de forma que aquilo que definia a sapiencia e o pensar, a mensagem e suas ramificações dialéticas, se tornaram totalmente apáticas do conteúdo. Apatia que pode ser enxergada no olhar cansado de muitos dos meus colegas; às vezes me pergunto, "Que raios fazem na Universidade?"

Se o ato de educar ainda é possível e não compactua com o "mercado científico", não é senão através deste que alguém alcança o Hall iluminado da Academia e se torna um Mestre, um Doutor. É construindo signos que se chega até ali, e eu amaldiçôo desde já este obstáculo que se coloca diante de mim no médio prazo.

"Também, tu quer o que?"


20051221::



Conheci Ken Kifer por acaso. Não sei se o termo certo é "conhecer", mas o fato é que eu cheguei até sua página na Internet no início de 2005, quando ainda trabalhava na Nestlé, e passava tediosas horas em frente ao computador. Era uma época razoavelmente ruim da minha vida, quando eu via horas importantes da minha existência sendo jogadas fora em um emprego absolutamente sem importância, sem sentido algum para mim. Comecei a planejar métodos refinados de fuga, e então eu já estava totalmente apaixonado pela idéia do nomadismo juvenil, ingênuo e potencialmente perigoso. Fucei sites e livros de gente maluca que havia desencanado de seus empregos e botado o pé na estrada; à época eu já estava "capturado" pelo sentimento on the road, li Jack London, Kerouac, Into the Wild de Jon Krakauer. E então, usando o computador da Nestlé para fuçar estes sites durante o expediente (o que me valeria um "justa causa") eu achei seu site.

Ken Kifer é um professor aposentado de 57 anos do Alabama que dedicou boa parte de sua vida a pedalar por aí. Porém, diferente de outros caras com quem eu "topei" durante minha pesquisa, as andanças de Kifer têm caráter sociológico. Sendo um grande estudioso de Thoreau, este professor barbudo e solitário escreveu uma boa quantidade de páginas sobre o impacto que seu modo de vida tinha no mundo e nele mesmo. Para ele, a vida de trabalho desenfreado convivendo com diversão intensa e danosa aos fins de semana era o que estava levando o mundo ao estado atual. A cultura do carro, da rapidez, da chegada ao contrário do caminho, tudo isto prejudicava a mente das pessoas. Maravilhado com a linguagem simplista daquele professor de inglês aposentado, retornava ao site todos os dias, quando o chefe não estava, e ficava ali uns 15, 20 minutos. Cada dia aprendia uma coisa, sobre segurança e manutenção de bicicleta, sobre modos de vida simples, sobre espécies de plantas do Alabama, etc. Comecei a ler Thoreau e uma semana depois eu ia trabalhar de bicicleta; atravessava o inferno da Av. Presidente Wilson com roupa social e chegava sorridente ao escritório. Meu chefe gritando já não mais me importava e eu nem esperava ele sair para abrir o site ou um livro; o absurdo do meu trabalho só não era maior que o espanto das pessoas ao saberem que eu viera de bicicleta. "Mas não é perigoso?". "É, é sim. Bastante". Naquele ambiente sem qualquer sentido, onde as pessoas passavam horas olhando para relatórios que não queriam dizer absolutamente nada, a expectativa de eu morrer no trânsito caótico da avenida era um mero detalhe para mim. Que se foda, realmente.

Pouco antes de sair do emprego, resolvi contactar Ken. Mais do que demonstrar com sinceridade o quanto eu havia aprendido com ele, queria algumas dicas de viagens; aquela altura já planejava seriamente minha viagem de bicicleta ao Sul. Entrei no site já no fim do expediente e procurei o endereço do professor, queria mandar logo uma carta escrita com minhas mãos, evitar a frieza do e-mail. Fucei e não achei em nenhum lugar. Em cima do site havia uma nota pequena que eu não havia visto nenhuma vez. Na minha ânsia de poder ler alguma coisa sem meu chefe ver, nem reparei naquele recado macabro no topo do site: Note - Tragically, Ken Kifer was killed by a drunk driver in September 2003. He is missed more than words can say. Olhando para aquela tarja horrível que havia matado em mim um mestre que eu jamais havia conhecido, tudo que eu pude ouvir foi: "Gustavo, você vai terminar aquele arquivo pra mim ou não?".

A Internet é uma coisa espantosa. Havia ali o testamento fundamental da obra de um grande homem, que parou de súbito sua atualização diária por causa da morte de seu autor. Quase escrevi a carta assim mesmo, sem me importar com quem iria ler, não sei porque não o fiz. Desliguei tudo e fiquei quietinho esperando a hora de ir embora, fingindo olhando para um relatório qualquer na minha mesa. Foram dias tristes, as frases saíam da minha boca com dificuldade. Quando eu não estava trabalhando, me preocupava com o que eu fazia a cada segundo, como se me agarrasse à vida ainda mais, procurando não perder mais tempo. Deixei o emprego algumas semanas depois.

O site é este. Hoje em dia não me é tão revelador, e não deve ser para muita gente, acredito. Ando meio cético, meus sonhos estão ficando velhos e decrépitos. Me peguei esses dias com saudades do dinheiro que recebia da Nestlé por me prostituir daquela maneira. Quase me atirei da janela, que idéia.

nãoqueroenvelhecernunca.


20051220::



A questão existencial de Borges encaixou bem na malfada pergunta do Orkut:
"O eu de hoje, estupefato?
O de ontem, esquecido?
O de amanhã, imprevisível?"


De qualquer maneira, cansei do profile, vou mudar.

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(ressaca-mor)
Misture:
- gin puro
- uma garrafa inteira de vinho tinto
- uma garrafa inteira de vinho branco
- cerveja
- cachaça
- catuaba
- vodka no narguilé

E tenha um bom dia.
20051217::


Essa surgiu na comunidade Mods Brasil:

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After searching hours for a good jazz club in a new city, a fellow jazz musician retires for the evening back to his hotel. When he enters the lobby, to his great surprise a sign hangs that says LIVE MUSIC. With great excitment, he asks the doorman, who's playing tonight?

Doorman: It's a quartet: piano, bass, drums, and sax.

Jazz Fan: Great, who's on piano?

Doorman: Cedar Walton

Jazz Fan: Nearly in shock, WOW, you mean THE Cedar Walton?

Doorman: NO NO, just a local guy with the name Cedar Walton.

Jazz Fan: Oh, that's cool. Well, who's on bass?

Doorman: Paul Chambers.

Jazz Fan: Oh, man.....Unbelievable, you mean THE Paul Chambers?

Doorman: Well, not THE Paul Chambers. The bartender is also named Paul Chambers and he's playing bass tonight.

Jazz Fan: Oh, I see, well who's on drums.

Doorman: Billy Higgins.

Jazz Fan: A bit suspect now. Bily Higgins? You mean......

Doorman: Interupting his train of thought........Well, NO, not THE Billy Higgins. Billy's a local guy who took up the drums a couple days ago. But he's very good.

Jazz Fan: OK, well then who's on sax?

Doorman: Kenny G.

Jazz Fan: A bit sullen, You mean THE Kenny G?

Doorman: Yes, unfortunately, it really is THE real Kenny G. But don't worry the rhythm section will still be great.
20051216::



Assistir Sex and the City, embora chato, revela muito sobre muitas mulheres que eu conheço. Não porque a série tenha qualquer qualidade de transmitir perfeitamente o universo das mulheres (acho que só elas mesmo acreditam nisso), mas por que boa parte das minhas amigas que assistem absorvem o clima da série para suas vidas. O que é normal, acho, já que todo mundo faz isso - o fato da série ser *ruim* só torna um pouco pior.

Fiquei pensando no universo cultural que poderia me definir, e a alguns amigos meus. Talvez exista um zeitgeist contemporâneo de fato, embora seja claro que atualmente se trate mais de uma questão de classe do que de geografia. Ser jovem, razoavelmente tolerante, parecer inteligente e sorrir regularmente pode ser um padrão universitário. Dizer frases de efeito, conhecer "bons" filmes e "boa" música, "boa" arte em geral. Acho que somos todos sitcoms mesmo.

Argh, deve haver um outro lugar.

(e não é charme não, a Sarah Jessica Parker é feia mesmo)

20051215::


O ruim de ser eu é que às vezes você se sente sozinho. Bastante sozinho.

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d-_-b: SM - T,T,T
oh, the fuckin' codes
20051213::



Férias.

Época de botar o pé na estrada, de ver e rever velhos amigos. De ouvir samba baixinho no Rio e marrear um chimarrão quentinho no Sul, de explorar São Paulo um pouco.

Tempo de fazer piquenique no parque ao lado de casa, de dar risada com velhos e novos amigos, pitar um fumo faceiro em boa companhia, conversar sobre música e a vida. Hora de pedalar muito, pra depois cair na cama exausto e dormir pesado, sem medo de ter de fazer nada no dia seguinte.

De namorar na rede da praia, de se largar no gramado da casa do menino de sonho, pensar no que fazer durante o ano, durante a década, durante o que resta da vidinha. Sorrir bastante. Encontrar o sorriso da japonesinha mais querida do mundo, do lango do norte da América do Sul, dos músicos. Tomar bastante vinho, ficar tonto.

(acho que eu tô de bom humor ultimamente)

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d-_-b: Elis Regina - O que foi feito deverá
20051212::



Como disse Harvey Keitel em um de seus melhores momentos, "I must have missed something". Quer dizer, devo ter perdido alguma coisa aí no meio.

Da última vez que eu olhei, pra você ser filósofo você deveria ao menos pensar algo relevante e legal para o mundo. Ao mesmo tempo, para você ser blasé, deveria haver algo de relevante primeiro, para você irrelevar.

Hoje mais do que nunca, para você ser violento e mal, você deve realmente machucar alguém. Se for Tyler Durden/Eastwood style, deve fazê-lo fisicamente. Senão você é só mais um adolescente reprimido. Xingar o orkut do outro não vale.

Definitivamente, para você ser aventureiro, deve sair de casa e cair em... digamos... aventuras. Enfim, para você ser um artista, deve fazer arte, e para fazer parte de uma banda, deve fazer música. Para ser poeta precisa escrever poesia, e não apenas encher a cara de vinho em um parque. Fazer pose de rockeiro no fotolog não te faz, erm... rockeiro. Mas ao menos você tentou, né?

Para você ser "sessentista", deve, bem, ter nascido nos anos 60, ou ao menos viver lá, em alguma espécie de brecha espaço-temporal. Senão você é só revival, baby. Paralelamente, você deve gostar do estilo punk para ser punk e foder regularmente para ser, afinal, um fodão. E eu posso estar sendo radical aqui, mas você definitivamente deve saber quem é Moff Tarkin e Douglas Adams para ser nerd. Ah, e a palavra para o que você gosta é caipira mesmo. "Country" é outra coisa.

Novamente posso estar sendo radical, mas você deve realmente estar acima do peso para ser gordo. E sua pele deve ser branca (sabe, aquela cor neutra, branca mesmo, ou ao menos rosada) para você ser branco. Você deve ter nascido na Europa para ser europeu -e mais importante, agir como um europeu- senão você está reproduzindo. Nada contra isso, todos fazemos isso, mas é sempre bom lembrar do essencial, de que falar francês não te faz francês, ter um avô italiano não te faz italiano e de que, infelizmente, se você está lendo isso tudo, você é um burguês. Sinto muito em dizê-lo.


Devo ter ficado louco, acho, ou os símbolos do mundo todo estão errados, ou as pessoas com quem convivo estão em alguma espécie de histeria coletiva à la Matrix, vivendo em um mundo imaginário. Mas afinal, eu realmente *convivo* com estas pessoas?


20051210::



Quem me conhece sabe que quando eu enfio na cabeça que alguém tá fazendo frescura, não há Cristo que me faça ceder. Quer dizer, não basta você ser meu amigo e ficar nervosinho comigo que eu vou correr atrás de você, perguntando "O que foi?", e "Quer conversar?" e ficar ligando toda hora, e ficar correndo atrás, indo até outro estado pra ver o que acontece, etc.

Acho criancice, caçôo da pessoa até ela se tocar da falta de seriedade da nossa condição humana.

Enfim, com o número de pessoas que se levam a sério no mundo, é surpreendente que eu tenha tantos amigos.


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d-_-b: Underworld - Dark and Long
20051206::



the machines are teaching me a lesson


Tive que fazer um trabalho que consistia em gravar conversas de bar. Deixei o gravador ligado e acabei esquecendo o bichinho lá. Tomei umas cervejas e logo conversava normalmente.

E descobri que minha voz é horrível. Fina demais, esganiçada, meio afeminada até. Fiquei com raiva e quase destruí a fita.

Um horror.

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d-_-b: Small Faces - Sha La La La Lee
20051205::


These Days
Nico

I've been out walking
I don't do too much talking
These days, these days.
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
And all the times I had the chance to.

I've stopped my rambling,
I don't do too much gambling
These days, these days.
These days I seem to think about
How all the changes came about my ways
And I wonder if I'll see another highway.

I had a lover,
I don't think I'll risk another
These days, these days.
And if I seem to be afraid
To live the life that I have made in song
It's just that I've been losing so long.
La la la la la, la la.

I've stopped my dreaming,
I won't do too much scheming
These days, these days.
These days I sit on corner stones
And count the time in quarter tones to ten.
Please don't confront me with my failures,
I had not forgotten them.

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Elliot Smith gravou essa música foda da Nico. Pensar que já faz mais de um ano que ele morreu me machuca o coração. Enfiar uma faca no peito é coisa pra heróis. Heróis, me entendem?


(a Simone fez uma versão da música do Damien Rice pra Closer, tá até tocando na novela. agora eu oficialmente odeio Damien Rice e continuo afirmando veementemente que o Brasil é o país mais brega do universo)
20051203::



Mais uma vez os médicos me enfiaram aquele tubo com uma câmera garganta abaixo. Me sedaram primeiro, depois me colocaram em uma sala bem iluminada, paralisado de olhos abertos como um rato atacado por uma víbora, e entucharam o bendito tubo.

Quando eu saí notei que a sala ao lado era a colonoscopia, e pensei finalmente: "É, podia ser bem pior".


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d-_-b: Catatonia - Don't need the sunshine
20051202::



1-2-3 CONTATO!

homer|velharia|fotolosers

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