É mais ou menos assim:

Eu acho que não gosto mais de você, ou eu não gosto do jeito que as coisas estão, então eu digo para os outros que você não gosta mais de mim. Não digo nada para você, e sua indiferença ao fato de eu estar triste acaba por finalmente me convencer de que você não gosta mais de mim, e a crença nisso me tranqüiliza e faz do conflito inicial uma realidade com a qual eu me conformo.

Aí quando você começa a perceber qualquer coisa, eu já estou conformado e aceito a situação inicial, estabelecendo um status quo do qual você não tem a vontade ou a força para mudar. E estamos prontos para mais uma subida na grande montanha russa rosa do amor.

Patético. E a primeira/última vez que eu trato disso. Odeio quando eu fico sentimental e chato.
20050831::



"I guess I could be pretty pissed off about what happened to me, but it's hard to stay mad when there's so much beauty in the world.

Sometimes I feel like I'm seeing it all at once and it's too much. My heart fills up like a balloon that's about to burst. And then, I remember to relax and stop trying to hold on to it. And then it flows through me like rain, and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life.

You have no idea what I'm talking about, I'm sure.

But don't worry.

You will someday."

Lester Burnham, American Beauty.



Esse sim um filme do caralho. E que me passa algumas coisas que, de vez em quando, é bom que eu me lembre. Em tempos como esse.


Mas pode ser que isso se dê porque meu coração está pesado de tanta cultura, cansado de achar tanta coisa chata mesmo onde espera encontrar coisas interessantes. E porque todo mundo fala demais, todo o tempo. Silêncio, porra.
20050827::



Parafraseando o velho Winston:

"Nunca o ego de tão poucos sufocaram tantos".

Ou, "Eu queria realmente dizer o quanto certas pessoas não são tão especiais quanto imaginam, mas isso as magoaria". Incrível como a arte torna certos seres humanos insuportáveis, quando deveria fazer exatamente o contrário.


d-_-b: Yeah Yeah Yeahs - Art Star




Thou shall not hush, thou shall not haste
For if you want to leave, my old mate
I will not run for your taste

Go now, your back's what I see
And worry not, for I shall leave the door open for thee

20050826::










Carrego em minha boca
o germe maldito da discórdia.













20050824::




Certos filmes criam tanta expectativa que, quando me desapontam, acabo sendo crítico demais com eles. Não sei se é o caso de Sin City.

O fato é que eu achei o filme um desastre. O roteiro é péssimo, as personagens são todas estereotípicas, planas, fazem aquilo para a qual foram criadas para fazer e pronto. Não há nenhuma surpresa na história.

O começo parecia ir bem, apesar dos diálogos chulos. Foi quando eu vi que os personagens não morriam quando deveriam morrer -isto é, depois do 40° tiro, e que um dos heróis tinha a agilidade de um Jedi, matando centenas de policiais com pulos de fazer Legolas morrer de inveja, que eu vi o que estava acontecendo. Tarantino e seu discípulo assumido, R.Rodriguez, tem alguma fixação doentia por mortes bizarras. É como um jogo de videogame que pára no meio para mostrar vídeos das mortes. Coisa como Resident Evil ou Alone in the Dark, para os mais velhinhos. De repente a história toda congela, todo o enredo pára, para que possamos apreciar com lentidão entediante a tortura e morte de algum lugar-comum personificado.

Sin City não cumpre o que promete. O filme tem cenas lindíssimas, mas os cineastas se esqueceram que não é só isso que faz um filme. Os diálogos chegam aos absurdos de "Você precisa resistir, precisa vencer" e "Eu vou te amar para sempre... e jamais", e não há realmente uma Cidade do Pecado, desesperançosa, apocalíptica. Há sim um jogo maniqueísta bobo, com os heróis protegendo o velho "fazer o mal para fazer o bem" de um lado e os corruptos depravados de outro. Estão todos lá, o policial aposentado que vai fazer justiça com as próprias mãos, o senador corrupto ("Você precisa mentir para ganhar poder", doh, ponto pra você, Homer Simpson), os vilões depravados, estupradores e pedófilos, as prostitutas-santas. Depois de ver a Jessica Alba fazendo a mesma dança pela quarta vez, foi exatamente como assistir à versão hollywoodiana de Streets of Rage ou Final Fight. Até a japonesa que luta com espadas (meu deus, quando essa moda vai desaparecer!) está de volta de Kill Bill, dessa vez gorda e feia e boba.

Por trás disso, é claro, há o kitsch tarantiniano, a sensação de que ele realmente quer passar alguma coisa com o revival dos filmes bobos que ele assistia na infância, com a repetição, com as mortes que perdem a graça cedo. Tarantino está se enquadrando cada vez mais naquele hall de diretores que, junto com Scorcese e Spielberg, estão perdendo a mão criativa para dedicar-se a delírios megalomaníacos, alimentando uma legião de fãs dedicados. Não é cinema, é Tarantino.

Resta saber se Sin City vai despertar, com seu primor gráfico, alguma escola de cineastas inteligentes que usem melhor a câmera e o editor. Não que seja original. Quem quer ver boa ação em preto e branco assista à Pi, que além de tudo é inteligente. Ou fique com Kill Bill, que apesar de derivar da mesma estética kitsch-cansativa consegue divertir muito mais. E reze para não ver algo como "Sin City 2", que desconfio já estar em planejamento.
20050823::




Preciso voltar às festas que eu gosto. Tive que ouvir como foi a última Mod Generation de um tio de 40 anos que estava lá. Há uma certa humilhação nisso.

(a discotecagem estava sensacional, disseram que tocaram três Small Faces seguidos)


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E eu montei uma coletânea de Pixel Music. O conceito é óbvio pra mim, mas eu procurei no Google e não achei uma definição que se aproximasse da minha idéia, que é música feita por quadradinhos piscantes e frenéticos. Culpa do pessoal da Overclocked, que me viciou em (boa) música eletrônica, remixada de antigos videogames como Galaga e Pac-Man. Culpa também de uma banda finlandesa chamada Desert Planet que realmente toca pixel music em shows, etc. Bizarrice total. O set ficou assim:

1. Galaga - Galagzee (OCR)
2. Desert Planet - Joysticker
3. Pop-Up (OCR)
4. Pac-Man 64 Bit (OCR)
5. Analoq - Road Rash (OCR)
6. Gux - Ducktales Amazon Session (OCR)
7. Desert Planet - Asteroid Hopper
8. chthonic - Mario 64 Fleeting on Ecstasy (OCR)
9. Minibosses - Mario Bros. 2
10. Desert Planet - Salsa Kong
11. SID of Rage (OCR)
12. Ben Cousins - Donut Plains, Colorado
13. Mark Jennins - Robocop CPC Zone (OCR, remixado da antiga versão do Amiga. Sensacional)


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Notei que o quadrinho do último post foi o primeiro a sair colorido desde que eu mudei o blog. Acho que isso diz alguma coisa sobre mim. Diz também sobre o quadro, cartaz de propaganda do realismo soviético, e do texto, o Manifesto Futurista. Ou não diz nada, sei lá.
20050822::



Rocket to Nowhere

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito à energia e à temeridade.

2. Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.

3. Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós
queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo ginástico, o salto mortal, a
bofetada e o soco.

4. Nós declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da
velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre adornado de grossos tubos como serpentes
de fôlego explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que
a Vitória de Samotrácia .

5. Nós queremos cantar o homem que está na direção, cuja haste ideal atravessa a Terra,
arremessada sobre o circuito de sua órbita.

6. É preciso que o poeta se desgaste com calor, brilho e prodigalidade, para aumentar o fervor
entusiástico dos elementos primordiais.

7. Não há mais beleza senão na luta. Nada de obra-prima sem um caráter agressivo. A poesia
deve ser um assalto violento contra as forças desconhecidas, para intimá-las a deitar-se diante
do homem.

8. Nós estamos sobre o promontório extremo dos séculos!... Para que olhar para trás, no
momento em que é preciso arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço
morreram ontem. Nós vivemos já no absoluto, já que nós criamos a eterna velocidade
onipresente.

9. Nós queremos glorificar a guerra ¿ única higiene do mundo ¿ o militarismo, o patriotismo, o
gesto destrutor dos anarquistas, as belas idéias que matam, e o menosprezo à mulher.

10. Nós queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e
todas as covardias oportunistas e utilitárias.

11. Nós cantaremos as grandes multidões movimentadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela
revolta; as marés multicoloridas e polifônicas das revoluções nas capitais modernas; a vibração
noturna dos arsenais e dos estaleiros sob suas violentas luas elétricas; as estações glutonas
comedoras de serpentes que fumam; as usinas suspensas nas nuvens pelos barbantes de suas
fumaças; as pontes para pulos de ginastas lançadas sobre a cutelaria diabólica dos rios
ensolarados; os navios aventureiros farejando o horizonte; as locomotivas de grande peito, que
escoucinham os trilhos, como enormes cavalos de aço freados por longos tubos, e o vôo
deslizante dos aeroplanos, cuja hélice tem os estalos da bandeira e os aplausos da multidão
entusiasta.
20050818::



Hoje sonhei com um dos meus jogos. Acordei suado, podia jurar que estava catarticamente fuzilando um demônio com algo grande e pesado. Me mexi todo, arranhei todos meus cortes, um horror. Apoiei na cama, tentei dormir de novo e assim que fechei o olho vi a mesma cena. Sonho persistente. Acho que é isso que se ganha quando se passa as férias trancado em casa lendo, pensando e jogando jogos, para depois operar e ficar em repouso fazendo a mesma coisa.

Fiquei olhando para o teto, desanimado. Pensei em como a cultura é assim, virtualiza a realidade de forma prejudicial, nos afasta daquilo que poderia nos tornar grandes, nos faz gastar energia em coisas totalmente inúteis. Pensei nas coisas grandiosas que poderia ter feito enquanto consumia gulosamente o pop trash de ontem e hoje. Lembrei de Platão, de como, em sua República ideal, ele expulsaria todos os músicos, poetas e escritores, transformando a vida em sua cidade uma perene harmonia de interesses e feitos belos.

Foi exatamente aí, quando quase me peguei concordando com o velho grego, que eu amaldiçoei meus pensamentos, a impossibilidade de fumar meu cachimbo na minha condição pós-operatória, e botei um disco do Charlie Parker pra ouvir. Passei o resto da manhã batucando o bebop na parede. Tss tss tss tss ta tum.

d-_-b: Charlie Parker - Dizzy
parapapapapatatumtatumtatum tchaa.
20050811::


Costanza, pra animar.






E agora, caruncho, que você não pode mais rir desesperado dos horrores da vida? Se quando procura esse consolo fácil e vulgar a dor no abdômen te corta de forma repreensiva?

E agora que você não pode grasnir ante a ignorância ou guinchar ante a mediocridade?

Se só havia sobrado isso, o cinismo, mas o que é do cinismo sem o riso de sangue, o riso de hiena, a gargalhada de quem morre?

nada.
20050806::


Acho que as pessoas acham que eu não gosto mais delas, porque quero ficar sozinho um pouco.

É uma espécie de egocentrismo às avessas: "Ele não anda falando mais COMIGO, não deve gostar mais DE MIM".

Daí as caras feias, defensivas, indiretas, pedidos de desculpas, xingamentos e o caralho a quatro. No fim o que resta é um quadro maravilhoso dos amigos que eu tenho. Fabuloso.
20050803::



Tive um sonho incrível hoje.

Estava em um café em Tangiers, deitado sobre uma mesa de ferro sentindo o cheiro de algum navio passante quando Allen Ginsberg, Jim Morrison e Raz-Al-Ghul apareceram em lindos cavalos árabes portando cimitarras e vestindo longos panos claros. Me chamaram para caçar gazelas no deserto, e eu fui.

Cavalgamos o dia todo até encontrarmos uma linha de soldados franceses em posição de ataque. Os outros hesitaram; eu corri como um louco trespassando soldados com a espada curva. Ginsberg seguiu e, com dificuldade (era gordo e desajeitado) se juntou a mim. Com mais habilidade, chegaram Morrison e Raz-Al-Ghul. Após uma luta sangrenta, os soldados estavam mortos. Desci do cavalo e fui examiná-los: todos tinham os rostos de pessoas conhecidas por mim. Família, amigos, colegas.

À noite acampamos em torno de uma fogueira e cantamos canções berberes até a lua se erguer alta.


Freud explica?


d-_-b: Flaming Lips - Yoshimi Battles the Pink Robots
20050802::



1-2-3 CONTATO!

homer|velharia|fotolosers

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