Olhei fixo para ela. Ainda estava visivelmente embriagada, o cheiro de destilados forte em seu hálito.

"Covarde."

Sabe quando o sorriso vai indo embora aos poucos, perdendo a envergadura, nos deixando com cara de imbecis? Então.

"Você é um covarde, isso é o que você é. Sempre fugiu de todos os seus problemas e agora está fugindo de mim. Covarde covarde."

Não concordava, é claro, mas fiquei em silêncio, ouvindo. Pensei em dizer todas as baboseiras habituais, de como ela estava enganada, de como não me compreendia, de como é preciso coragem para fazer o que eu vou fazer. Whatever. A moça tinha um ponto. Eu precisava ouvi-la.

Ao final, e depois de alguns insultos, eu a abracei forte. Ela tinha medo, medo de me perder. Eu não. Pensei em como não tinha mais medo de perder ninguém, e de como isso me tornara ao mesmo tempo forte e rígido, frio. Comecei a pensar nas críticas ouvidas anteriormente, de pessoas diferentes. "Você é durão por fora, gostaria que fosse assim por dentro".


Não. A palavra "durão" me faz lembrar de homens como Bruce Willys e Clint Eastwood. Eu não sou durão, oras! Sou só um menino, acho.

Aquela noite dormimos juntos, abraçados.
20050627::




Algumas pessoas são tão profundas que não consigo me comunicar com elas. Não consigo chegar e dizer: "Tomei um café esta manhã. Estava horrível, aguado". Invariavelmente Foucault ou Nietzsche surgem e acabam com meu café aguado.


Recebi um e-mail da Grasiela.
(Grasiela é uma moça que eu conheci há tempos, e que tem mais importância na minha vida do que ela imagina.)

Enfim, no e-mail ela dizia que não era mais aquela menina alegre, aquela loira de 1,80 e poucos. Fiquei triste. Acho que ela não é mais simples.


Gosto de gente simples. Gosto de sorriso ou bronca fácil, de abraços, dos olhares focados em um ponto, e não voando por aí sempre.

Inevitavelmente eles se afastam de mim, uma hora ou outra. Uma pena. Talvez o café aguado seja resultado do meu niilismo mesmo.

d-_-b: Circulatory System - The Lovely Universe
20050625::



Partir!


Eu vou. Eu estou indo. Se vocês abrirem bem os olhos, perceberão que eu já fui.

Perceberão que eu não quero mais me importar. Que para as coisas que eu não quero mais me importar eu guardo um riso grasnido, um riso de lobo, de quem vai devorar a presa. Eu rio do sofrimento, rio da beleza. Aprendi a ser cínico.


É isso. Eu não era cínico. Eu era crítico demais, às vezes um canalha, mas eu me importava com muitas coisas. Cínico não. "Não se pode ser cínico aos 20 anos", eis meu último idealismo. Meu último idealismo, que vai me levar para algum lugar. Ou nenhum lugar. "Rocket to Nowhere" era meu mote no começo do ano, lembra?

Por isso eu vou. Te juro: não importa pra onde. Não mesmo. Não é um suicídio, não daqueles antigos. Chega. A época das lâminas rápidas passou. Hoje eu quero ver, quero ver no que vai dar. Quando se preocupam comigo, eu costumo sorrir. Se preocupem sim. Não é um passeio. Não é turismo. É um chamado.

Parto como quem foge. Parto como um refugiado. Parto porque não tenho escolha: se eu ficar eu morro. Te juro: eu morro. Se eu tiver que pensar de novo aqui, pensar naqui, pensar em mim aqui, me ver, ano após ano, dia após dia, diminuir meus sonhos, tornar meus desejos fáceis, por preguiça, por velhice, por achar que a vida é fácil e que vou morrer só daqui a 40 anos. Não vou. Estou (estamos) morrendo agora. Não mude de assunto, ouça. Estamos morrendo agora. E eu vi minha viagem para o Marrocos se transformar em um DVD no meu quarto. Meus sonhos de revolução na juventude se transformarem em um carro bonitão, estiloso.

Gostaria que entendessem. Gostaria que entendessem porque parto logo. Não é "quando estiver pronto". Nunca nada estará pronto, eis nosso dilema. É logo. Logo logo, daqui a uma semana. Parto com a cabeça cheia de sonhos. Parto pra me foder, pra sofrer, para falhar. Enfim, parto para perder. É preciso perder, sabe? Quando se está com as mãos cheias de objetos bonitos, a agenda cheia de amigos simpáticos e meninas bonitas, a cabeça cheia de frases e palavras e coisas que não fazem mais sentido algum, é preciso soltar. Largar. Perder é preciso. Uma ironia isso ser escrito aqui.

Se preocupem, mas entendam. E ajudem, se preciso e possível. Talvez não seja tão grande. Talvez eu volte logo. Mas primeiro preciso descobrir para onde eu fui.


d-_-b: Cartola - Preciso me Encontrar



Conheço uma menina que me despreza. Despreza a mim, o que eu falo, como eu me visto, as músicas que ouço. Não só a mim, mas a várias outras pessoas. Ela sempre deixa claro o desprezo dela por tanta gente nas rodas de conversa, principalmente quando estou junto.




Mas uma vez,

eu a peguei,

chorando no fundo da van, cantando Alanis Morisette baixinho.

20050624::




É sempre assim. A temperatura cai bruscamente, meu humor também. Tenho muito o que pensar. Muito o que fazer, muito o que organizar.

15 páginas de História da Diplomacia. 5000 a 7000 caracteres (sem espaço) de State-Building e Nova Ordem Mundial, 2000km de estradas esburacadas, cheias de motoristas mau-humorados e noites frias para pedalar, 30 dias de percurso a serem traçados, alguns livros pra ler, dinheiro pra ganhar, dinheiro pra gastar.


Junho. Julho.

São também os meses que eu mais me apaixono. Este ano minhas experiências com o lado afetivo têm sido, no mínimo, conturbadas. Interessantes, mas conturbadas. Ainda assim eu me apaixono. Deixo meu coração com alguém. A maioria das pessoas não sabe muito o que fazer, mas fica com ele.

"Vai abandonar o menino?. Deixa aí, dá um pouco de comida e ele se vira. Não vou ficar me preocupando com esse coraçãozinho frio e racional também!"


d-_-b: uma seleção de ska first generation que eu achei na net
20050623::



.
.
yay! temos um design novo!
.
.
.
mais uma vez: yay!

20050621::


Havia me cansado de esperar alguma coisa acontecer naquela festa e decidi fazer alguma coisa acontecer. Levantei e fui até a pista. As coisas não estavam muito melhores por lá: meia dúzia de estrangeiros dançavam Ivete Sangalo em torno de algo que parecia ser um Bombom Recheado gigante, gritando "Puerrrraa" com um sotaque tipicamente bahiano-teutônico.

Voltei e a encontrei.

"Você tem olheiras."

"Nossa, obrigada por me lembrar."

(Lembrei como adoro quando ela é agressiva, e verbalizar o resto da conversa imediatamente perdeu o sentido. Ela sucedeu-se normalmente, sem nenhuma palavra dita.)

"Banalizemo-nos, por favor. Estou cansado de pensar e sentir qualquer coisa. Talvez assim percamos todo o sentido do que é "Nós", mas acho que quero arriscar."

Ela sorriu apenas. Foi se sentar em um canto, visivelmente frustrada. Com muitas coisas, como bem sei.


Um alemão alcoolizado me abraçou e cuspiu algumas palavras de sua suave língua natal. Pedi-lhe uma cerveja, e tomamos juntos. Ao terminar minha vida tinha ficado ligeiramente mais fácil.


(...)


Amanhã quero pedalar até a inconsciência.
20050618::


São Caetano, à uma da manhã.

A cidade ferve. Os jovens elegantemente vestidos da Avenida Goiás, um a um, fazem fila para cortejar as damas em seus barulhentos cavalos de aço. Eventualmente duelam à moda antiga, garrafas estilhaçam e o sangue corre na sarjeta. Depois se abraçam e respiram a ardência da vodka.

A confusão pára. O Prefeito-General desfila com as tropas em carro aberto. Exaltados, os jovens convulsionam hinos de guerra, e todo o feudo presta saudações ao líder. "Ave Cesar, moritorium salutant!", ouço de um duelista ferido enquanto passo indiferente. De outra direção também vêm outros indiferentes: a Praça Central é nosso ponto de encontro, nossa ágora solitária. Geralmente colegas de infância, um sorriso, um "boa noite" frio, irritado até. Por que diabos tenho que encontrar minha namoradinha da 4ª série quando saio de casa pra encher a cara?

Um dois três cruzamentos coloridos e chego à Praça da Bíblia. Lá quem duela são os marginais, os pobres; Seu coração sem farda e seu coturno pesado. A banda militar entoa batidas pesadas e grita palavras de ordem, nós ficamos felizes em desobedecer. Um gole da Maria Louca, nosso drink habitual.


"É daqui que eu venho", penso. É dessa turba de corsários mediterrâneos, dessa pequena Prússia de tijolinhos à mostra. Sou cúmplice dessa massa arrogante e orgulhosa, meu sangue cartaginês reserva boas surpresas para o skinhead que eventualmente aparece na Praça. Com no coturno dolorido e o pensamento cheio de fúria, caio. Álcool zulu com casca de laranja não é para todo dia. A vadia ao meu lado cai comigo e me sorri.


De ponta cabeça,

ainda tonto enquanto ela me chupa,

enxergo os dizeres:

"Não temas, Crê Somente".
20050615::



Do código Jedi:
"There is no emotion; there is peace
There is no ignorance; there is knowledge
There is no passion; there is serenity
There is no death; there is the force"


Acho que tenho uma nova religião.
20050614::


Está fundada a Cruzada Masculinista.

Pelo fim dos bichas-homens. Pelo fim do metrossexual de consumo. Pelas barbas mal-feitas, brigas de bar, tapas na cara seguidos de porres, amizades de tapa nas costas, sexo casual (casual MESMO, não Nova Cosmopolitan/Sex and the City bulshit), companheirismo.

Pela boemia masculina, cantando putas nos becos cheio de vinho na cabeça, a boemia sem flor e poesia, a boemia que é poesia em si mesmo, pela violência (deus, o que aconteceu com a violência?) e pelo grito.

A favor do sentimento de não se importar. Contra dar satisfações.

A favor de resolver as coisas no tapa. Contra intrigas e boatos.

As mulheres tiveram seu feminismo exacerbado. O que aconteceu com nós?


Cadê os indies de São Paulo?

O Atari está sendo colonizado pela Vila Olímpia. Horror.

O DJ Club virou reduto de roqueiros chatos e toca farofa a noite inteira. Perdi a conta dos Pixies e "Every you Every Fuckin Me". Jesus, tocou até Born Slippy no lounge. Eew.

O Outs é sujo e legal, e atrai gente igualmente suja e legal, não indie.


Estariam eles fugindo para outras casas? Existe um lugar fechado, exclusivo, onde eles se encontram? Seria a Senha: "Sonic Youth"?


medo.
20050612::


Não tenho sido um bom amigo ultimamente, eu sei.

Não retorno os e-mails das pessoas que gostam de mim, não ligo de volta, furo compromissos e horários. A mess, really.


Me desculpem. Sinceramente.

Há alguns meses que minha vida chacoalha e convulsiona, e meu coração em chamas espirra por aí. Às vezes eu só preciso de tempo. Algumas vezes eu preciso de algo mais...


talvez eu volte.
20050605::



20050603::


let's drink and spend the summer wasted
tonight your folks went out
so you and me are free of guilt

it's always easier when we're not ok
we're not responsible for things we say
throwing up when there's no other way

(depost - younger couple)



1-2-3 CONTATO!

homer|velharia|fotolosers

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