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Sexta-feira, Abril 29, 2005
caribou diz:
minha diversão no orkut é caçar pessoas pra adicionar à crush list .tha. diz: sério??? caribou diz: sei que um dia alguém também irá me colocar e nascerá um romance lindo e frugal
caribou
vertendo pixels em todas as direções, me debatendo sobre um veículo de ferro por aí tremendo de frio no chão de uma casa pulando recitando rimbaud para algumas vagabundas, perdendo dinheiro, perdendo em geral frustrações... caribooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo...
Quarta-feira, Abril 27, 2005
Segunda-feira, Abril 18, 2005
Bicicleta
Lá vai a bicicleta do poeta em direcção ao símbolo, por um dia de verão exemplar. De pulmões às costas e bico no ar, o poeta pernalta dá à pata nos pedais. Uma grande memória, os sinais dos dias sobrenaturais e a história secreta da bicicleta. O símbolo é simples. Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais - lá vai o poeta em direcção aos seus sinais. Dá à pata como os outros animais. O sol é branco, as flores legítimas, o amor confuso. A vida é para sempre tenebrosa. Entre as rimas e o suor, aparece e desaparece uma rosa. No dia de verão, violenta, a fantasia esquece. Entre o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce sabiamente. E a bicicleta ultrapassa o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa no instante da graça. De pulmões às costas, a vida é para sempre tenebrosa. A pata do poeta mal ousa pedalar. No meio do ar distrai-se a flor perdida. A vida é curta. Puta de vida subdesenvolvida. O bico do poeta corre os pontos cardeais. O sol é branco, o campo plano, a morte certa. Não há sombra de sinais. E o poeta dá à pata como os outros animais. Se a noite cai agora sobre a rosa passada, e o dia de verão se recolhe ao seu nada, e a única direcção é a própria noite achada? De pulmões às costas, a vida é tenebrosa. Morte é transfiguração, pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta de rosa interior dá à pata nos pedais da confusão do amor. Pela noite secreta dos caminhos iguais, O poeta dá à pata como os outros animais. Se o sul é para trás e o norte é para o lado, é para sempre a morte. Agarrado ao volante e pulmões às costas como um pneu furado, o poeta pedala o coração transfigurado. Na memória mais antiga a direcção da morte é a mesma do amor. E o poeta, afinal mais mortal do que os outros animais, dá à pata nos pedais para um verão interior. (Herberto Helder) --------- acho que existem vidas passadas. acho que eu fui H.H. no inicio do século passado. não há outra explicação.
Sábado, Abril 16, 2005
Ultimamente tenho passado meus dias lendo e tentando decifrar esse cara aqui. A influência dele sobre mim está me assustando. Muito.
Domingo, Abril 10, 2005
Quem diz que São Paulo é bonita nunca andou de bicicleta por ela.
Nunca foi lavado pela água nojenta que os carros jogam quando passam (e ainda xingam!), nem perseguido pelos mendigos bêbados que odeiam a própria vida. Nunca foi recusado um copo de água por uma socialite com medo de abrir a porta, nem foi quase atropelado por ônibus atrasados a velocidades absurdas. São Paulo é feia. E não é por ser pobre não. Aquela pobreza estética que os intelectuais gostam, esta você pode até encontrar de vez em quando nos pilares da Sé, nos nordestinos conversando alegremente no Anhangabaú. Na maioria das vezes São Paulo é feia mesmo, feia demais. Argh.
Terça-feira, Abril 05, 2005
Sou um estúpido. É isso.
Um grosso, um arrogante, agressivo. Trato as pessoas mal, grito com elas, faço ironias que suscitam o mais profundo desprezo. Há dentro de mim um diabrete irascível que infunda a mais razoável discussão, atira às trofas qualquer simpatia que porventura, acaso e circunstância conquistei com um sorriso fácil e uma ou duas frases bem feitas. E sei disso. As pessoas vem me dizer, me pedem pra mudar. Talvez vejam um outro Gustavo (que eu mesmo tenho dificuldade em ver) que seja jovial e risonho, carinhoso, etc. Que seja. Com um cinismo que só um doente terminal teria levanto as minhas sombrancelhas de Maquiavel e digo: "Que há de ser feito?,"chto delat", "eu sou assim mesmo, desistam", ou algo igualmente detestável. Como se estivesse falando de um time que perdeu o campeonato. Não foi sempre assim. Boa parte da minha adolescência foi gasta com carícias, chamegos, bajulações, palavras doces, amizades eternas, abraços fortes, chocolate, fortuna, bom dias, boa noites, muito obrigados e te amos. Principalmente te amos. Ganhei duas úlceras e alguns elogios empoeirados na prateleira. Um dia irrastreável fiz a filosófica experiência de dizer tudo o que vinha à minha cabeça. Ao sereno "Bom dia" da minha mãe respondi-lhe "Por que?", à brincadeira sem graça respondi com violência física. O resultado foi desastroso: parecia que as primeiras coisas que vinham à minha cabeça eram horríveis, que as palavras doces só poderiam ser ditas uma vez que fossem pensadas, analisadas e (respirando fundo) devidamente atuadas. Uma pessoa amargurada, alguém diria. Que seja. Continuo gostando dos meus amigos, (apesar de, naturalmente, ter cada vez menos) e o faço até com intensidade maior do que fazia antes. Amo mais também, assim como odeio mais. Me sinto mais leve. Que seja. Se algum dia me vier qualquer energia das termas abissais eu me mudo, torno-me novamente doce, cheio de carícias, palavras doces, amizades eternas, etc. O Gustavo versão anos noventa. Mas primeiro preciso cuidar do meu estômago.
Sexta-feira, Abril 01, 2005
Pedi demissão.
É isso. Saí do inferno. Abraço uma pobreza feliz e deixo a hipocrisia pra traz. Me sinto bem. Mas ainda não posso falar muito sobre isso; está fermentando. d-_-b: Portishead & Radiohead - Hal in the days (the golden days!) when everybody knew what they wanted.... they knew today... |