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Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
2005 vai ter que ser assim pra eu ser feliz:
posted by Bianezzi at 11:23 AM
Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
Pela primeira vez em 5 anos, eu estou sozinho no meu quarto.
Cheguei em casa e ele estava ofegando. Tossia, respirava com dificuldade. Estava morrendo.
Sentei ao lado dele. Passei a mão no pelo dele, ia pra cima e pra baixo cada vez mais devagar. Tentava pegar ar, ficava nas duas patinhas, na ponta das patinhas, pra respirar; estava desesperado. Fiquei com ele até de madrugada, peguei no sono e dormi.
Hoje acordei pra ir trabalhar e ele estava melhor. Respirava bem, até roia cartolina do jeito que ele gostava. Quando cheguei ele estava duro, deitado no meio do viveiro, com os olhos esbugalhados, tinha morrido.
E na pressa de sair pra trabalhar, deixei o som ligado. Tocava Velvet. Morreu ouvindo Velvet, como todo ser vivo da Terra deveria morrer. Mas morreu longe de mim, e eu queria estar perto, acariciar ele enquanto parava de respirar lentamente. Não. Não deve ter sido assim. Ele estava meio contorcido, os olhos abertos e frios, morreu desesperado atrás de ar. Ouvindo o Lou Reed gritar "Oh Doce Nada".
E eu me senti tranqüilo. Triste, mas tranqüilo. Pela primeira vez encarei a morte como algo perfeitamente certo e natural. Não havia cristo no mundo que me convencesse que a falência de seus órgãos tinha qualquer coisa a ver com os desígnios de uma entidade superior, ou que agora o Pafúncio saltitava alegre nas planícias tediosas do céu. Também não era o fim, nunca acreditei nisso. Seus átomos de carbono iriam em alguns meses pertencer a uma planta, a insetos e a terra, em alguns anos a uma criança, um pássaro, e em alguns bilhões de anos haverá um pouco do meu bichinho em uma explosão de uma estrela, iluminando a noite de alguém. Isso é ser eterno.
Não que eu não vá sentir falta. Essa criatura esteve comigo dos meus 15 aos 20 anos, isso é muita coisa. 15 a 20 anos, é meu mundo inteiro.
ai que inferno...
posted by Bianezzi at 12:06 AM
Segunda-feira, Dezembro 13, 2004
O Gustavo de 2003 não trabalhava.
O Gustavo de 2003 não fazia faculdade.
O Gustavo de 2003 não passava 10 horas por dia com a camisa pra dentro da calça. O Gustavo de 2003 não usava camisa.
O Gustavo de 2003 não sentia a dor de ser poeta sem pena, o Gustavo de 2003 queria ir pro Marrocos ganhar trocados com turistas e vagar pela África. Ele queria ser livre, e sabia como fazer isto.
O Gustavo de 2004 tem um carro. E uma barriga. E sua bicicleta companheira enferruja na garagem.
O Gustavo de 2004 tem carteira assinada. Paga INPS, taxa sindical, vale refeição, vale transporte, conta telefônica.
O Gustavo de 2003 abominava o uso de celular por achá-lo uma coleira. Ele abominava coleiras. Ele ouvia rock'n'roll, não o telefone tocando o dia inteiro e o bater incessante de dedos nas teclas.
Aquele menino amava e odiava com uma intensidade que o fazia contorcer-se e gostar-se, e gostar, e ser gostado. Aquele menino odiava não sentir nada. Aquele menino achava que ia viver pra sempre, e se não vivesse, foda-se. Aquele menino chorava com filmes bobos e com gente dormindo nas ruas. Aquele menino chorava.
O rapaz que eu me refiro escrevia aqui de vez em quando. Gostava de escrever, guardava com carinho as coisas que escrevia, coisas bobinhas, mas do tamanho do mundo. Do mundo do menino - que era enorme. Aquele menino maluquinho tinha macaquinhos no sótão.
Ele não tinha chefe. Tinha obrigações sim, mas só com ele mesmo e com o que ele escolhia. Aquele garoto não trabalhava em uma multinacional. Aquele garoto foi pra Paulista ser espancado por policiais por causa de multinacionais. E achou divertido pra cacete.
Gustavo Bianezzi Cilia tinha 19 anos, e se sentia exatamente assim. O Gustavo de 2004 tem 90 mil. E rugas. E uma calvície que avança.
E matou aquele rapaz, aquele lá de cima, que achava que ia viver pra sempre.
posted by Bianezzi at 6:57 PM
Sinfonia Agridoce
Cause it's a bitter sweet symphony that's life...
Try to make ends meet, you're a slave to the money then you die.
I'll take you down the only road I've ever been down...
You know the one that takes you to the places where all the things meet, yeah.
No change, I can change, I can change, I can change,
but I'm here in my mould, I am here in my mould.
But I'm a million different people from one day to the next...
I can't change my mould, no,no,no,no,no,no,no
Well I've never prayed,
But tonight I'm on my knees, yeah.
I need to hear some sounds that recognise the pain in me, yeah.
I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now.
But the airwaves are clean and there's nobody singing to me now.
No change, I can change, I can change, I can change,
but I'm here in my mould, I am here in my mould.
And I'm a million different people from one day to the next
I can't change my mould, no,no,no,no,no,no,no
Have you ever been down?
I can change, I can change...
Cause it's a bittersweet symphony this life.
Trying to make ends meet, try to find somebody then you die.
You know I can change, I can change, I can change,
but I'm here in my mould, I am here in my mould.
And I'm a million different people from one day to the next.
I can't change my mould, no,no,no,no,no,no,no
We've got ya sex and violence melody and silence
(Have you ever been down)
(I'll take you down the only road I've ever been down)
posted by Bianezzi at 6:56 PM
Domingo, Dezembro 12, 2004
Não se enganem, eu estou com todo o clima do mundo para escrever aqui.
Frustrações.
Só não tenho uma coisa básica, física mesmo. Tempo.
Tem pô.
posted by Bianezzi at 10:07 PM
Sexta-feira, Dezembro 10, 2004
Bah, rolinho de pé de escada. De pé de escada.
d-_-b: Jet - Look what you've done
you've made a fool of everyone...
posted by Bianezzi at 12:05 AM
Segunda-feira, Dezembro 06, 2004
(tédio no trampo)
acho que vou beber água mineral até desmaiar pra ver o que acontece.
posted by Bianezzi at 3:57 PM
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