Sexta-feira, Outubro 29, 2004
E a imprensa se apaixonou mesmo pelo Serginho. Mostrou e re-mostrou cada segundo, cada take, da queda no gramado à procura pela chave da ambulância, cada momento final, cada espasmo muscular, as últimas convulsões do diafragma, o desespero todo. Adorou, soltaram fogos, uma delícia, um momento glorioso no jornalismo futebolístico. Deveria haver um Serginho por mês, pelo menos.

E ela faz isso com tudo e com todos, eu sei. Mas é diferente quando você conhece o "alvo". É diferente torcer para o São Paulo, o Corinthians, ir no jogo, torcer, gritar o nome do time, comemorar na rua; e morar do lado do Estádio e ver o jogador ali, todo dia, te dando bom dia, perguntando como vão as coisas. É diferente torcer para um time que você viu nascer, que você conhece os jogadores pela casa onde eles moram ("É perto daqui ó!") e tromba eles na rua, de sandália Havaiana, comprando pão na padaria. É simples a diferença: você não torce. Você conhece, e só.

Enfim, a vida continua né? Apesar dos abutres, continua.


Quinta-feira, Outubro 28, 2004



Quarta-feira, Outubro 27, 2004
Finalmente consumido pelo tédio mortal que atinge this mod life of mine, revivo a piparota (a outra, a de fotos) com uma série especial sobre os heróis da minha vida. Sem essa de Top 5, não tá em ordem alguma, só uma idéia que me veio de homenagear algumas figuras importantes e tal.

Enfim, se o tédio os tiver consumindo também, visitem a piparota. É aqui.

d-_-b: Death Cab for Cutie - We Looked Like Giants


Domingo, Outubro 24, 2004
Meu problema é que eu sou muito crítico.

Eu era romântico. Vivia pela beleza, e morria por ela também. Acreditava em fidelidade, essas baboseiras todas. Daí eu vi que romantismo é castração, religiosidade, um monte de coisas que não tinham nada a ver comigo.

Daí achei que antes de mudar a mim eu precisava mudar o mundo, e comecei a planejar ações para fazê-lo. Mas logo eu me vi ficando autoritário, amargo, e minhas ideologias começaram a desabar, uma a uma. Li e reli as críticas a todas as ideologias, e decidi abandoná-las todas.

Foi quando eu vi que podia ser feliz com uma pessoa, de maneira simples, vivendo ao lado dela sem maiores excitações. Vida confortável. Minha auto-crítica porém, veio incisiva; com poucos movimentos hábeis joguei toda essa construção fora. Fui um canalha, e gostei disso.

Claro que a canalhice duraria pouco também. Logo eu me deparei com crises existenciais, e dilemas filosóficos que assolam a humanidade há milênios me atingiram. Minha futilidade se esvaiu, comecei a questioná-la, vivi como um ermitão social por uns tempos.

Foi na época que eu comecei a trabalhar. Logo o capitalismo contra o qual eu já havia lutado havia se tornado maravilhoso e um mundo de consumo se abriu diante de mim. Era novo, era delicioso, e eu podia esquecer as agruras da vida com boas compras! Viva! Claro que durou pouco, eu trabalhava como um condenado em algo terrivelmente chato. Não valia a pena. Logo peguei meu bom e velho Machado de Destruição de Vidas® e acabei com essa também, larguei o emprego.

Daí eu conheci alguém que parecia me mostrar uma maneira de ser nova, sem culpa, sem essas coisas de velho, preocupações, mas também sem futilidade. Um equilíbrio, finalmente! Comecei a sair com ela, ia a festas, estava começando a aprender a me divertir de verdade, saber beber, usar dispositivos de desligamento, etc. Desta vez nem precisei me esforçar muito para me criticar; a realidade me caiu como uma bigorna na cabeça, eu estava vivendo uma ilusão fácil e vulgar. Extremamente vulgar, por sinal.

A faculdade parecia mudar isto. Equilibrar iluminação acadêmica e boas festas com gente legal? Parece promissor, vou tentar. Acontece que a iluminação acadêmica sempre acompanha mais problemas, mais questões, mais dilemas. Eu estava errado, não era iluminação, era apagar as luzes que me mostravam coisas erradas, me deixar no escuro, tentando ouvir o que seria o "certo".

E, convenhamos, é impossível se divertir em uma "boa festa" quando se está no escuro. É ingênuo achar que eu posso simplesmente sentar na corda bamba sobre o abismo e tomar uns drinks, beijar umas menininhas, dar boas risadas.

É cruel exigir felicidade de alguém que contempla a escuridão, que sente 20 anos de incertezas labirínticas e não pode fazer nada quanto a isso. Não sou bêbado, nem equilibrista. O máximo que eu estou conseguindo ultimamente é um cinismo saudável, uma total falta de respeito por aquilo que parece ser incomensuravelmente importante, uma habilidade quase inata de rir de si próprio, e algumas úlceras.

Mas talvez eu esteja errado de novo.

d-_-b: Mars Volta - Roulette Dares


Sábado, Outubro 16, 2004
E a menina que eu encontrei no Atari ontem?

Ela tem uma tatuagem do Império Galático no ombro esquerdo, meu Deus. Com todos os demônios, vou repetir: ela tem uma tatuagem do Império Galático. E é ruiva. E tem um símbolo quintessencial no corpo.

Deus é um canalha que se aproveita da minha atual fase de timidez para fazer isso comigo.

d-_-b: Billy Bragg - Levi Stubb's Tears
porque Cockney *não* é um bairro ;-)


É assim que eu me sinto agora

"I just threw away a lifetime of guilt-free sex and floor seats to every sporting event in Madison Square Garden. So, please, a little respect, for I am Costanza, Lord of the Idiots."

Frase de um dos pilares losers, George Costanza.

É isso. Mude o nome ali em cima por Bianezzi (a origem geográfica é até a mesma) e pronto. Jogando a vida fora por causa de coisinhas imbecis, hobbies bobos, coisas que eu devia estar fazendo aos 40, e não aos 20. Mas tudo bem, eu sou Bianezzi, Lorde dos Idiotas. Um pouco mais de respeito, por favor.

Não muito.




Segunda-feira, Outubro 11, 2004



Meu ratinho morreu.

É isso. O Pacheco, o ser vivo que me acompanha há quatro anos, morreu hoje. Não tenho muito o que dizer. Só que ele morreu. Morreu no dia que não era pra morrer. Morreu. Triste. Muito triste.



Quarta-feira, Outubro 06, 2004



Sexta-feira, Outubro 01, 2004
E eu acho que Michael Jackson é provavelmente o gênio musical do século.