Quarta-feira, Setembro 29, 2004
Tá, deixa eu explicar
Porque essa dicotomia Ecletismo X Fanatismo tá me matando, e eu preciso explicar isso de uma vez por todas.

Eu curto o mod dos anos 60. Curto Who, Byrds, Kinks, Small Faces, e por aí vai. Mas curto também o "rockão" dos anos 60, Jimi Hendrix, Janis Joplin. Gosto até um pouco do rock dos anos 70. Porra, eu gosto de Lynyrd Skynyrd! E eu amo Elvis. Sou apaixonado mesmo. "Ah, mas você é mod, não pode gostar de rocker". Fuck off, não sou nada. Gosto de terninho, cabelo penteado, e gosto de jaquetas de couro e motos. Gosto dos anos 80. Gosto da música eletrônica inicial, amo Kraftwerk, gosto de Devo, New Order, sou fanático pelos Pet Shop Boys. Gosto de rock nacional dos anos 80. Com todos os demônios, gosto até do Legião Urbana (com grandes ressalvas). Acho o Capital Inicial inicial (doh) demais. Titãs, Paralamas, todas essas já foram fodas e hoje acho chatíssimas. Mas eu curtia.

Sou fanático pelo punk. Eu fui punk, tive moicano, bati e apanhei de careca. Mas não tenho nada contra skinhead, acho a música foda, eles até que devem levar uma vida divertida. Digo, os verdadeiros skinheads, os trads, não esse bundões que batem em mendigo e fazem muleque pular de trem. Amo ska, curto todo o tipo de punk, do street ao hardcore. Porra, eu gosto de Dashboard Confessional e Exploited, gosto do Billy Idol antes e depois de "Eyes Without a Face", gosto muito do grunge e aprecio muito o que eles fizeram nos anos 90. Acho Kurt Cobain um gênio.

E eu gosto de samba de roda, Cartola, Originais. Gosto de funk, Tim Maia, os racionais, Hyldon. Música black em geral me interessa. Sou viciado em jazz, ouço o dia inteiro, uma música mais de uma vez seguida. Amo blues, assovio durante o dia. Não acho, como alguns colegas meus, a bossa nova coisa totalmente perdida. Também não acho a melhor coisa que o Brasil já fez.

O que é isso, ecletismo fanático? Ou anti-fanatismo eclético?
O fato é que pra mim não tem que gostar só, tem que pesquisar, mergulhar na música. Saber quando ouvir Sonic Youth e quando ouvir Chemical Brothers, saber diferenciar um bom Coltrane de Miles Davis, pular com AC/DC e gritar com Weezer.

Porra, é pedir demais um ecletismo baseado na qualidade da música, e não em preconceitos?


Terça-feira, Setembro 28, 2004
A maneira que eu encontro de não enlouquecer na vida é sempre ter uma ilha por perto, para onde eu possa nadar e ficar lá por um tempo.

Sempre ter um Marrocos para gastar aquele dinheiro que eu guardei por anos e me perder no deserto. Sempre ter um deserto.

Sempre ter pessoas que eu possa ligar e ir assistir qualquer coisa, seja logo ali, seja no Morumbi. Sempre ter um rosto pra poder bater, boca pra beijar, ventre pra transar, um ombro que seja, pra esquecer a vida, pra começar outra. Sempre ter mais de uma pessoa. Sempre ter mais de um plano de fuga.

Um bar perto, drogas baratas e usadas com sabedoria, qualquer fuga psicodélica, de bons shows de jazz a bons pedaços de LSD.
Sempre ter uma estação, rodoviária perto, qualquer lugar cheio de gente diferente, qualquer lugar revoltante, fétido, feio, um centro de uma metrópole decadente, um centro de uma cidadezinha decadente. São Caetano do Sul, Monte Azul Paulista, Marrakech, São Paulo.

Sempre ter uma arma por perto, algo com que eu possa me matar, não fisicamente, mas o ego, matar o ego, matar a alma, matar aquilo que faz de mim o que sou. Sempre ter uma Colt .38 por perto, ou um Blunderbluss, ou um ICBM. Sempre poder me machucar, chorar, riscar meus cds preferidos.

É importante também ter alguém que eu possa machucar, destruir, reconstruir, colar partes, brincar de Frankenstein, para depois abraçar, comer, e guardar pra sempre. Sempre ter mais de uma pessoa. Sempre ter mais de um de tudo. Sempre manter as escolhas abertas, portas entre-abertas, janelas escancaradas.

Sempre um nunca.


d-_-b: Radiohead - A Wolf at the Door


Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Odeio Segunda-Feira
Eu quero que este dia acabe logo.
Eu quero que este dia acabe logo.
Eu quero que este dia acabe logo.
Eu quero que este dia acabe logo.

(repita como um mantra 6000 vezes)


Domingo, Setembro 26, 2004
The Good Fight
Dashboard Confessional


Consider the odds,
consider the obvious.
The martyr is meaningless,
the campaign has died.
In the planning stages and the fallen faces
are the singular proof that it was ever alive.

This purchased rebellion has been outbidded,
denounced and rescinded and left to die championless, championless, championless.
I begged you not to go.
I begged you, I pleaded.
Claimed you as my only hope
and watched the floor as you retreated.
I begged you not to go.
I begged you, I pleaded.
Claimed you as my only hope
and watched the floor as you retreated.


Hope has sprung a perfect dive
a perfect day, a perfect lie.
A slowly crafted monologue conceding your defeat.

This purchased rebellion has been outbidded,
denounced and rescinded and left to die championless, championless, championless.
I begged you not to go.
I begged you, I pleaded.
Claimed you as my only hope
and watched the floor as you retreated.
I begged you not to go.
I begged you, I pleaded.
Claimed you as my only hope
and watched the floor as you retreated.

Does it comfort you to know you fought the good fight?
Basking in your victory,
HOLLOW and alone.
While you boast your bitter bragging rights, to anyone who'll listen.
While you're left with nothing tangible to gain


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Porque estou me sentindo um personagem de uma música do Dashboard de novo, depois de quase 3 anos sem se sentir assim. Achei que jamais aconteceria de novo, essas coisas que eu tinha/sentia quando adolescente. Estou retrocedendo?



Quinta-feira, Setembro 23, 2004
Pois eu sou um homem escravo do tempo. Se chove eu fico feliz, se faz esse sol azucrinante e seco que está fazendo, eu morro.


Segunda-feira, Setembro 20, 2004
Fiz 20 anos...
exatamente às 17 horas do dia 18 de setembro de 2004.

Tudo estava quieto e tranqüilo. Gustavo ainda com 19.

De repente o céu fechou. Após 90 dias de seca, trovões assustaram os pássaros e raios iluminaram os céus. Choveu torrencialmente. Eu sou isso, sabem? Chuva. Amo correr na chuva, sem rumo. Foi um sinal. E já estava me preparando para fazer isto quando o rádio começou a tocar Radiohead. High and Dry.

Cai no chão, desesperado. Estava saindo do casulo, estava fazendo 20 anos. O telefone toca. Fui atender, tonto. Eram parentes da Itália, que eu não vejo há anos, e nem sabiam que era meu aniversário. Ligaram por intuição.

Bum, fiz 20 anos.

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Mais tarde foi a festa. Excelente, por falar nisso. Unwillingly, me relegaram o papel de DJ. Dado certo tempo, peguei o microfone e fui cantar Elvis. Sei lá o que me deu, só quis cantar Elvis no meio da festa. Foi divertido. Foram as pessoas mais queridas do mundo, com algumas baixas de queridões que resolveram não aparecer.

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No Domingo, fizemos picnic. Levamos vinho, cerveja boa, frutas, pães e queijos. Foi a coisa mais maravilhosa do fim de semana, tomar um porre de vinho em um dia ensolarado e maravilhoso, compartilhando a sombra de uma amoreira com pessoas lindas...

Enfim, o melhor aniversário de todos. E eu nem precisei me esforçar muito pra isso. Deu até pra esquecer a tristeza que me bate quando faço anos.


E ficou brega no blog, eu sei. Não foi nada perdedor. Mas ultimamente eu venho sacrificando com prazer a beleza da tristeza e da solidão pela vulgaridade boba da alegria. E continua intenso, tudo, minha vida. É isso que importa, acho.


d-_-b: Yardbirds - Mr. Tambourine Man
I'm not sleepy and there ain't no place I'm going to...


Domingo, Setembro 12, 2004
Sem falar que eu quase bati o carro hoje. O Carunho não tá legal, ele tá fazendo mais barulhos do que normalmente faz e tá ruim de dirigir, não quer virar, fica morrendo.

Deve tá apaixonado por aquela Variant verde que tem na minha rua e vive dando bola pra ele. Aquela sirigaita.


Mais abraços aos mikonurses e klinklins-destruidores-de-festas-chiques. Por que se vestir bonitinho quando você pode causar vergonha e revolta a pessoas de alta classe?

Banda boa, megamods vs. Jovens Titãs. No plural, porque o monstro eterno ganhou seguidores, eu e o Leandro. Bom rever o Leandro.

Pessoas sociáveis. O Woods foi consolado! Fim de noite mandando ver. Yeah!


Sábado, Setembro 11, 2004
Estava acompanhando uma discussão na comunidade Mods Brasil do orkut (vão lá, eu sou moderador ;-) e ouvi algo sobre os mods que me pareceu simples e absoluto. É mais ou menos assim:

"Ouve o rock dos Estados Unidos em geral e ouve o rock inglês hoje em dia. Eles são parecidos? Não. Sempre foram diferentes? Não. Até meados dos 60 eram iguais. O que aconteceu aí para os tornarem TÃO diferentes? O mod. Este é o peso de sua influência."

Talvez as coisas não sejam tão simples assim, mas faz muito sentido mesmo. E é bom ver o povo discutindo o movimento em geral, tá na hora de pesquisarmos nossas raízes musicais mais profundas e ver o que rola de bom hoje em dia e o que tem a ver com o que já passou...

d-_-b: Merton Parkas - (I'm not) your steppin' stone


Ai quanta arrogância.

Mas porra, o Dj se auto-proclama Melvin Fleming. Não. Esse mereceu o troféu:



Sexta-feira, Setembro 10, 2004
Voltando

Feriado revelador na cidade adjetivada como "maravilhosa". Revelador em todos os sentidos: aprender sobre como é a vida no Rio (diurna e noturna) e ver que as diferenças com SP são tão gritantes que as cidades nem deveriam ser comparadas, organizar uma certa viagem com um grande irmão meu, fazer um curso sobre como funciona a vida da elite no Rio. Estranhamente meu amigo Pedro Aguiar (é, o playmoboy) acha que é importante saber isso para meu futuro profissional. Não, não pretendo fazer parte de elite alguma, nem aqui na Desvairada nem lá na Maravilhosa.

Mas a noite no Rio me impressionou mesmo. De maneira ruim, devo dizer. Chegamos a única opção de rock alternativo disponível, onde nos esperava uma fila que tomaria duas preciosas horas do meu tempo útil de vida. Talvez pelo hype ser grande demais (hype de rock alternativo a essas alturas é foda, hein?) ou pela relação alt.rockers/lugares para sair ser tão discordante a lotação do lugar estava a tal ponto que para entrar, era preciso que saissem pessoas de dentro. Estilo casinha chique de Beverly Hills mesmo, um saco.

Lá dentro era que acontecia a estranheza maior. Duas pistas. Uma destilava o que havia de mais desconhecido, novo e independente do rock mundial, sempre em tons pastéis, variando do shoegazer ao bate-palminha simplório. Um luxo. A outra rolava as farofas habituais do mainstream kitsch e do alternativo batido, de Talk Talk a Muse. O mais estranho é o povo que freqüentava as pistas. Pode ser paranóia minha, mas eu vi todos os estereótipos da noite carioca ali, fantasiados de "indie". Estavam ali os pit-boys bombados, vestidos com camisetas pequenas e "cool", estavam as patricinhas de cabelo escovado, eternos poodles das festas mais "badaladas", dessa vez em versão alternativa, com sainha curta e blusinha colorida. Parecia que haviam chamado todos os que habitavam as praias e popzices do Rio para a nova e excitante aventura do rock alternativo. Nada contra isso, é claro, não sou partidário do purismo na música independente ou alternativa, mas ver os cristãos novos da cena agitando desajeitadamente ao som de uma banda islandesa que eles provavelmente nunca ouviram falar me pareceu deveras artificial.
Foi como Beverly Hills, mas com Radiohead, saca?


Quarta-feira, Setembro 01, 2004
Esse post vai em homenagem à ruivinha bonitinha que sorriu pra mim hoje.