Sexta-feira, Julho 30, 2004
Tá, mudei o design do blog de novo.

Agora tá menos mod e mais despretencioso. E a frase acima tem muito a ver com a gente.


d-_-b: The Specials & The Clash - Rudy Ska


Domingo, Julho 25, 2004
Tá, eu vi o teste eu TIVE que fazer. Eu sei que é nerd mas...

You are TRSDOS. Compatibility is always an issue with you.  You feel the world has passed you by.  Time has not treated you well.
Which OS are You?



Pior que o resultado foi triste.
Santo Google, eu sou o DOS! Eu fui atropelado pelo tempo! Noooooo!


Sábado, Julho 24, 2004
Barrett ataca novamente

Barrett, o monstrinho roxo que eu tenho no estômago e me causa dores terríveis, atacou novamente. Fui fazer um exame, terrível, chamado phmetria.

Consiste em ser entubado pelo nariz com uma sonda fina que desce até o estômago. Essa sonda fica ligada a um aparelho portátil que mostra o ph do estômago durante o dia. Você tem que ficar nessa situação infeliz durante 24 horas.

Eu me senti como uma pessoa deficiente se sente. Na ruas, as pessoas olham para você, aquele tubo com o aparelho na sua cara, ficam encarando, e quando você olha de volta, elas desviam o olhar, meio que envergonhadas. No trânsito algumas pessoas deram passagem quando não precisavam, ao me ver dentro do carro com aquele tubo. Devem ter pensado que eu já estava no bico do corvo.

Enfim, sobrevivi, embora um pouco mais detonado por dentro e com o nariz dolorido. Resta saber quando esta maldita síndrome vai sarar, ou atacar de novo.


Quinta-feira, Julho 22, 2004
Minhas dicas para um amigo meu que vai ser DJ e vai mandar som em um lugar "eclético", cheio de todo o tipo de gente:

"Hmm povo misturado, problema.

Pela minha experiência eu sei que:

1- Indies se satisfazem com apenas uma música alternativa. Eles explodem, cantam, depois voltam para a vida miserável deles.

2- Maurícios preferem algo mais constante, mas não necessariamente músicas longas. Querem coisas curtas mas que tenham um "link", do tipo house. E se irritam com experiências novas bruscas, apesar de não perceberem que estão ouvindo rock alternativo quando este estiver bem disfarçado.

3- Maconheiros. Coloque Cindi Lauper e diga que é o Tim Maia com gripe, em um bootleg raro. Vão adorar. E se parecerem irritados, toque apenas o começo (uns 10 segundos) de uma música do Raul Seixas, depois vá abaixando o volume. Eles vão continuar a cantar e, na cabeça deles, a música vai ter continuado."


Quarta-feira, Julho 21, 2004
Sou Ivã Fiodorovitch Karamázov. Não porque Dostoiévski está na moda, mas sim porque compartilho meus delírios com os dele, e porque ele conversa com o demônio, como eu.

(trecho de "Os Irmãos Karamázov", de F. Dostoiévski)
(o Diabo diz) "Meu amigo, quero, no entanto, permanecer um cavalheiro e ser tratado como tal - disse o visitante com certo amor-próprio, aliás conciliante, bonachão. - Sou pobre, mas... não direi muito honesto, mas... admite-se geralmente como um axioma que sou um anjo decaído. Palavra, não posso imaginar como pude, outrora, ser um anjo. Se o fui algum dia, foi há tanto tempo que não é um pecado esquecê-lo. Agora, atenho-me apenas à minha reputação de homem decente e vivo como posso, esforçando-me por ser agradável. Gosto sinceramente dos homens; caluniaram-me muito. Quando me transporto aqui para a terra, entre vocês, minha vida torna uma aparência de realidade, e é o que mais me agrada. Porque o fantástico me atormenta como a ti mesmo, de modo que gosto do realismo terrestre. Entre vocês, tudo é definido, há fórmulas, geometria; entre nós, só equações indeterminadas! Aqui, passeio, sonho (gosto de sonhar). Torno-me supersticioso, não rias, peço-te; a superstição me agrada. Adoto todos os hábitos de vocês; gosto de ir aos banhos públicos, imagina, estar na estufa com os comerciantes e os popes. Meu sonho é encarnar-me, mas definitivamente, em algum comerciante obeso e partilhar de todas as suas crenças. Meu ideal é ir à igreja e lá acender uma vela, de todo o coração, palavra! Então meus sofrimentos terão fim. Gosto também dos remédios de vocês; na primavera, havia uma epidemia de varíola, fui vacinar-me. Se soubesses como estava eu contente! Dei 10 rublos para "nossos irmãos eslavos"!... Não me ouves. Não estás no teu estado normal, hoje..."
-----------------------

Também eu deliro. Tenho alucinações, mais ou menos realistas, desde os 4 anos. Eu não matei meu amigo imaginário -mandei-o ao céu como um anjo, de onde posso ouví-lo quando quero.

Sou como um Fausto, que se encheu de fórmulas e equações para a vida, e de repente se vê negociando com o demônio. Também me identifico muito com o demônio. O demônio quer ser um comerciante obeso, quer ir à igreja, ora essa, acender uma vela! Feliz de quem tem religião. Feliz de quem tem religião. Fausto tem apenas as fórmulas, e seu hedonismo. Acredita porém em algo maior. Desdenha do diabo -ele que fique com sua alma- mas acredita em algo maior, acredita no amor. O amor é a nossa religião, a religião oficial dos Faustos que, como eu, deliram.

Não tenho medo de minhas alucinações. Victor von Frankenstein nunca teve medo de sua criação, exceto quando ela saiu de controle. Minhas criações já sairam de controle, uma vez. Foi o terror, o conflito, a guerra de mim contra mim mesmo. Não sei quem saiu vitorioso, só sei que a guerra acabou. Hoje ando pela casa, sozinho, trancado há dias nesta rotina de férias de delírio, cercado com fantasias eletrônicas e livros russos, e converso com elas. Às vezes encarnam em meus ratos, e obedeço o que eles dizem. Meus ratos me dominam como um demônio, um diabrete sussurante. Depois apenas grito nos corredores, a afugentar os Frankensteins que me visitam regularmente. Mais freqüentemente porém, minha relação com meus demônios é bastante cordial. Mesmo porque a frieza mecânica das equações humanas é bem mais perigosa de que seus sussurros delirantes.

Sou Ivã Fiodorovitch, um ateu que fantasia com anjos decaídos e conversa sobre filosofia com eles. Sou Fausto, que entrega a própria alma para alimentar sua crença naquilo que lhe parece absoluto, e cai ante o amor. Sou Victor, que manipula suas fórmulas e vence tudo e todos, para depois morrer para si mesmo. Enfim, sou Gustavo, um rapaz que não sai de casa há três dias.

Satanas sum et nihil humani a me alienum, puto.


Quinta-feira, Julho 08, 2004
Notaram como somos intermitentes?

Vamos e voltamos todo o tempo.

Na verdade estamos sempre aqui.