Quinta-feira, Janeiro 29, 2004

Conclusão 1: Preciso de novos amigos.
Conclusão 2: Enjoei do fundo branco deste blog.
Conclusão 3: Um Atari faria minha vida muito mais feliz.




Conclusão 1: Preciso de novos amigos.
Conclusão 2: Enjoei do fundo branco deste blog.
Conclusão 3: Um Atari faria minha vida muito mais feliz.




Quarta-feira, Janeiro 28, 2004


Já chega!

Vou transformar essa joça no aterro sanitário de cultura pop/nerd que eu sempre sonhei, de novo!

Esse blog já foi legal, hoje está um lixo!

Estou muito deprimido, muito filosófico, muito

chato.



Em breve, não percam, the REAL Losers blog.



Sexta-feira, Janeiro 16, 2004
E minha Desvairada se aproxima dos seus 450 anos.

Não se enganem, meu bairrismo está bem aquém do possessivo "minha" empregado na frase, apesar do que afirmam meus (inúmeros) detratores. Não amo São Paulo mais do que amo minha condição humana, minha miserável condição humana; e se nisso emprego qualquer arremedo de poesia me perdoem, pois é difícil falar desses sentimentos em meio à pandemonia oficialista da Prefeitura Marthista Suplicista. De fato, é difícil sentir qualquer coisa quando lhe gritam aos berros o que você deve sentir ou pensar. Não consegui absorver muita coisa útil desses festejos hipócritas.

Ainda assim, vou para a Caminhada Cívica amanhã. Novamente peço licença e esquiva das pedras atiradas, não para dar explicações filosóficas sobre o porquê de tal empreitada, mas para dizer apenas que gosto de caminhar. Além disso eu quero ver se me empolgo, dessa vez em pessoa, com o trio-elétrico cultural/político oficial, e quem sabe, conseguir cuspir no chão um pouco de orgulho, ou seja lá o que isso for, de morar aqui.

Pois dou certo que, enquanto a maioria dos que me lêem compreendem de alguma forma o que eu digo, sempre existem os invejosos, os pequenos de alma e de coração, enfim, os insensíveis, incultos e principalmente, aqueles que nunca passearam pela Paulista de mãos dadas com alguém. Explico de novo: não há motivos para amar essa célula cancerígena que engoliu (e engole) a Mata Atlântica, mas afirmo (para me redimir da acusação de eco-bobo e outras sandices) que se moramos aqui, que saibamos aproveitar pelo menos o pouco de bom que a Paulicéia oferece.

E se mesmo assim não encontrarmos nada, que seja!

Ainda temos São Caetano como exemplo de civismo e excelência!
(sic)




Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
Eu acho que não dou sorte com filosofia. Comecei estudando Hume (até aí tudo bem), depois mergulhei nos mais tenebrosos e malditos pensadores da história.

Wittgenstein faz os poetas malditos parecerem adolescentes espinhentos que recentemente descobriram Nirvana. Se Kierkegaard foi o filósofo do desespero, esse austríaco que estudou com Hitler foi o filósofo do suicídio. Nascido de família rica, seus quatro irmãos foram todos se suicidando, um a um.

Seu pensamento foi niilista ao extremo, ainda que dotado de grande espiritualidade. O objetivo de Wittgenstein era único: acabar com a filosofia. Depois de atravessar o caminho espinhoso que é seu livro, você chega a uma conclusão, e incrivelmente, ela já está escrita no fim do livro, e é sua própria conclusão:

"Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar"

É como levar um soco na boca depois de ficar falando um monte de asneiras.

Mas nossas semelhanças não terminam aí. Wittgenstein, por um bom tempo, detestou a vida, e pode-se inferir que ele fez de tudo para morrer. Alistou-se no desastrado exército austro-húngaro na Primeira Guerra, tendo cacife para ser oficial, porém negou a patente; queria lutar no fronte, como soldado raso, junto às montanhas de corpos que se acumulavam. Ironicamente, ele sobreviveu à guerra, e acabou por se isolar em um vilarejo inacessível nos fjordes noruegueses, contra os conselhos de seu mentor, o também filósofo Bertrand Russell.


Preferiu a solidão à mediocridade.




Preciso parar de ler essas besteiras...


Domingo, Janeiro 11, 2004
Mamma mia!

Aceitaram um ateu na Pontifícia Universidade Católica!

Aonde chegamos?



Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

Estou indo pra Brasília amanhã.
Vestibular (de novo).

Desejem-me sorte.



A incrível falta de talento para a vida se resume à simples frases, das quais ninguém tem a certeza de sua profundidade ou fervor, conforme concebemos a magestral porém ignóbil forma delineada na sutil silhueta vista pela sombra, ao longo da parede, crescendo e aflorando no melhor estilo "cabaret" ou "bon vivant".

Não.
Não procure sentido.

NP: Depeche Mode, Little 15


Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Quando eu era criança, eu queria ser desenhista. Tinha um bloquinho que levava para todo o lado, e um lápis, e o que eu olhava eu desenhava, sem muito talento ou habilidade. O resultado sempre era medíocre, ainda mais para mim, que já pequeno cultivava uma auto-crítica virginiana fervorosa. Passei então a somente anotar os detalhes do que eu via, para depois tentar desenhar em casa, com mais calma. O bloco de desenhos virou bloco de anotações. Escrevia tudo, detalhes pequenos, maneirismos, sotaques, o dedo mindinho levantado da tia que bebia café... E quando chegava em casa me dava preguiça e eu não desenhava nada. Aos poucos eu fui caprichando nos relatos. Às vezes inventava histórias para os "personagens" reais que eu via. Para onde vai aquela mulher gorda cheia de sacolas? O que quer aquele velho, me olhando?

Eu sempre fui apaixonado pelos velhos. Os velhos nutrem uma carência assustadora do mundo, uma mágoa, uma tristeza de quem sabe que já foi melhor. Eu sei disso, eu leio os olhos esbranquiçados dos velhos. Os velhos carentes, principalmente os miseráveis, são na minha opinião os seres mais sofridos do mundo. As crianças, por mais miseráveis que sejam, quase sempre retiram algo dos adultos, quer seja pena ou um sorriso, talvez uma moeda no farol. Para os velhos sobra a indiferença.

Há alguns anos eu caminhava pelo centro -como sempre fazia, com o caderno na mão- e avistei um velho engraxate. Peguei o bloco e comecei a rabiscar. Um tempo depois, tive a sorte de estudar em uma escola que fica na mesma praça onde o velho costuma estar. Pude acompanhá-lo todo o dia, e escrevi muito sobre ele. Infelizmente minha timidez quase covarde jamais me permitiu se aproximar dele, sequer para saber seu nome. O que o Velho mais precisava, atenção, eu não fui capaz de dar. Porém rendi-lhe ao menos uma homenagem semi-literária, se é que isso vale qualquer coisa para alguém que já viu quase de tudo.

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O Velho está todos os dias na praça. Ele e sua banqueta de graxa pasmam aqui e acolá, cigarro aceso, olhar atento. Na praça, o Velho é pouco mais do que um incômodo; nem mesmo chega a ser uma lembrança. Pois para mim, é isto o que ele é: uma lembrança. Mais do que isso, o Velho é também uma certeza, talvez mais de uma, e a maior delas. O Velho é meu futuro, mas também é o meu passado, o passado de casa de avó e bolo formigueiro. O Velho, não posso deixar de atentar, é também o presente, um foco de resistência semi-lúcida e de cabelos parcos e brancos. O Velho não joga Counter-Strike, o Velho não namora na praça, não estuda, não lê ou escreve, não passa os dias pensando nos dias seguintes, não dança, o Velho não trepa, não fala ao celular, não gasta gargalhadas com as sitcoms. O Velho é antes de tudo o não-ser, a antítese do meu, e por isso se torna assustadoramente contemporâneo. Os outros não percebem, franzem a sobrancelha, e ao fazê-lo ignoram o alerta silencioso daquela nobre criatura, que decai-se a grossas vistas e altiva-se com um sorriso bobo. Ei-lo, Velho bobo, Velho eu.




Sexta-feira, Janeiro 02, 2004

Ah, mais uma coisa:

Pau no cu da Amelie Poulain!



Só pra ser alternativo...



Quinta-feira, Janeiro 01, 2004
Planos para 2004:
1. Assistir a algum show realmente decente.
2. Apagar de vez o fantasma da calvície (tá, isso pareceu comercial de Hairsink).
3. Passar em alguma faculdade.
4. Aprender a falar árabe.

Droga... a maioria dessas coisas não depende de mim... frustrações