Quarta-feira, Outubro 29, 2003

Segundo meus professores de Genética e Estatística:

Eu sou canhoto, filho de pais destros, com gene recessivo (2% da população), vegetariano (0,3 a 1% da população ocidental, segundo US Censorship), ateu (6,8% da população em São Paulo) e desenvolvi uma doença gástrica chamada Síndrome de Barrett, junto com não mais de 10 000 pessoas no Brasil (menos de 0,5% da população).

As chances de ter alguém como eu no mundo são de menos de 0,001%.
It's good to be unique.


Sábado, Outubro 25, 2003
Ex-namoradas no ICQ...

Juliana:
vc eh mmmmtttoooo chato
Bianezzi:
Você não é a primeira e nem vai ser a última garota a me dizer isso.
Juliana:
oq vc acha entaum d se tocar???
Bianezzi:
Ah, tudo bem, prefiro uma solidão excêntrica a uma companhia medíocre.



d-_-b:Mussorgsky - Night on Bald Mountain


Quinta-feira, Outubro 23, 2003
DisorderRating
Paranoid:Very High
Schizoid:High
Schizotypal:Very High
Antisocial:High
Borderline:Very High
Histrionic:Very High
Narcissistic:High
Avoidant:Low
Dependent:High
Obsessive-Compulsive:High

-- Personality Disorder Test - Take It! --




Eu juro que fui sincero.

O maldito teste me definiu como um caso de "esquizofrenia leve". Para o inferno.



Quarta-feira, Outubro 22, 2003

Porra.

Elliott Smith se matou com uma faca.

Que merda.



PS.: estou meio ausente... cursinho, estudos, vida perdida... como se alguém se importasse.



d-_-b: Elliott Smith - Some Song
help kill my time... because I'll never be fine...


Segunda-feira, Outubro 13, 2003
Indie do Mês


Sempre sozinho, tocando piano (No Surprises?) com sua camisa lista ultra-hype, esse rapaz tem até o nome indie: Schroeder.

Mais um da lista dos que são alternativos e não sabem.

schroeder


Sexta-feira, Outubro 10, 2003
O Tomaz de Alvarenga, do BritRock Post definiu como ninguém o som do Radiohead:

"Você não sabe se acompanha o vocal, as guitarras ou a bateria, e acaba misturando tudo".


d-_-b: Radiohead - The Tourist
Slow down!


Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Hoje, aproximadamente às 7 horas da manhã, foi criada por mim e pelo Exmo. Sr. Danilo Lobrigate a Liga Fraternal Nihilista.
Mais tarde, por volta do meio dia, foi descriada a Liga Fraternal Nihilista. Atingimos nosso objetivo: o nada.
Porque toda vanguarda acaba se tornando nihilista.


Anninha insiste que eu estou sendo muito influenciado pela literatura. Cazzo! Com todas as coisas inúteis para se deixar influenciar, a mais aprazível me pareceu a literatura, ora bolas!

Deixe-me passear pela Tangier de Kerouac, me frustrar com a métrica do Bilac, enviar cartas apaixonadas para Macabéa, minha musa que sofre e não sabe porquê (minha Macabéa que come papel...), visitar cemitérios com Baudelaire!

Meu xará Flaubert já disse e demonstrou que a vida é chata, e a literatura é infinitamente mais interessante. Bovarismos são inúteis, porque inútil é qualquer coisa que não seja um bovarismo! Deixe-me ler Tolkien como quem lê Nietzsche, ler Nietzsche como quem lê Ruth Rocha!

Agora me dá licença, que eu vou criar a Fraternidade Cubista, a Ordem Futurista e a Desordem Dadaísta, em qualquer ordem que me der na telha! Vou compor versos livres no Parnaso e decassilabar Manuel Bandeira! EU QUERO UM PORQUINHO DA ÍNDIA!


E me deixe em paz, porque mais um pouco e esse blog se torna tão enfadonhamente profundo que eu não me agüento! Pela volta dos setlists de casas noturnas e dos relatos folhetinescos de minhas aventuras amorosas de carnaval! No more filosofia de botecos, mesmo que esses botecos sejam de Frankfurt, Herr Friedrich Wilhelm!


Quarta-feira, Outubro 08, 2003

Já faz mais de um ano...


Paris fica opressiva no verão. Não fosse o calor seco e abafado, eu agüentaria com humor exemplar as hordas americanas e japonesas que invadem a cidade nessa época. Eu não gosto do calor. Mas eu gosto de Paris, e foi por gostar de lá que eu resolvi sair assim mesmo para fazer o "tour de force" turístico entre os monumentos. A tumultuada Torre, o fotografado Arco, a Avenida que poderia muito bem ser uma Paulista mais adornada e arborizada. Não acredito sinceramente que os Campos Elíseos se pareceriam com qualquer coisa assim.

Acontece que tem um rio que corta a cidade.

E nesse rio, mais ou menos ocupando a porção central da cidade, fica uma ilha, a Ile-de-la-Citè. E nessa ilha, pequenina e losangular, fica uma igreja. Notre Dame de Paris. Apenas mais um ponto, óbvio, no circuito obrigatório dos japoneses armados até os dentes com Pentax e Olympus. A construção em si não é surpreendente: pequena, atarracada e sem os requintes estilísticos de obras mais grandiosas como a Sagrada Família, na Catalunha, a Notre Dame atrai mais pelo valor histórico (é considerada exemplo de arquitetura gótica medieval no mundo), literário e propagandístico do que pela grandiosidade.

Até você ir à parte de trás dela.

Poucos vão, é claro. Os guias, aos gritos, pastoreiam os gordos rosados pelo sol até o monumento seguinte, geralmente a Sorbonne ou, com um caminhar mais longo dos suínos em questão, até o Louvre. Mas eu fui. Talvez porque eu mesmo não estava sendo guiado, senão pela curiosidade, eu caminhei pela rua estreita e escura e fui até a parte de trás. Eu vi os arcos curvos que saltam das paredes, como se os gárgulas do alto das torres tivessem traçado atrás de si um trajeto de pedra ao mergulhar para o chão, vi o jardim com banquinhos onde, afastados das hostes transnacionais de flashes, alguns velhinhos parisienses jogavam xadrez calmamente. Eu vi Genevieve.

Vi seus olhos acinzentados a me fitarem incessantemente, ouvi seu violino tocar músicas que, mesmo se as soubesse de cor, teriam me arrancado lágrimas. E arrancaram. A garota estava acompanhada de alguém que parecia ser sua irmã, e as duas faziam um dueto de cordas para os poucos que chegavam até lá. Umas moedas, uns trocos, e uma pequena multidão de curiosos (ou fascinados) como eu se juntou em volta da cena. E ela olhava para mim, dentre 50 pessoas que assistiam, ela tocava olhando para mim. Devo ter passado toda uma tarde ali. Devo ter perdido muita coisa, monumentos, igrejas. Não, não perdi nada. Para mim foi o segundo mais precioso de toda a viagem, e eu não sentia outra coisa senão o resumo de minha vida naquelas cordas, naquele olhar azul, olhar cinza, o resumo naquela beleza indescritível.

Chegou a noite, a multidão havia se dispersado, e eu fiquei. Elas pararam de tocar, e começaram a guardar os instrumentos. O tempo parecia que havia parado; eu jamais teria imaginado que aquilo uma hora iria terminar, a música, o sorriso. Arfando e impulsivo, meti a mão no bolso e peguei uns euros. Caminhei rápido na direção dela, cheguei perto e... parei. Fiquei estático por uns segundos que pareceram dias, subestimei o turbilhão de ficar próximo daquela garota que, sem pronunciar uma palavra, ficou a me fitar, como se esperasse que eu dissesse algo. E eu não falo uma só palavra em francês. Tremendo como quando eu tremia em meus tempos de anemia, estendi meu braço mecanicamente - porque se não fosse mecânico, teria desmaiado- soltei as moedas sobre a caixinha e murmurei, quase incompreensível: "Trrê Bian". E foi isso.

Genevieve foi um nome inventado, claro. Mais tarde na mesma noite, envergonhado com minha fragilidade, voltei à Notre Dame e rondei as ruas atrás de um violino. Escrevi um poema e o batizei com o nome da Santa patrona de Paris, considerada por muitos como a santa mais bela da Igreja.

É óbvio que ficou horrível, não se escreve poemas quando imerso em sentimentos, normalmente o correto a se fazer é vivê-los, não escrevê-los. Acontece que o verão passou, Paris passou, Genevieve passou. Talvez -e eu gosto de pensar assim- foi melhor dessa maneira.


Segunda-feira, Outubro 06, 2003
E contra todas as suposições e perspectivas, fiz um fotolog.

Havia prometido não fazer um blog, depois prometi não fazer um fotolog, e agora prometo não postar fotos minhas lá.
Pior que, do jeito que minha credibilidade anda, é provável que eu quebre essa promessa logo também.


ps.: serei entubado amanhã, pela sexta vez.... meu caso precisa ser estudado, é o que os médicos dizem.


d-_-b: Bob Dylan - Subterranean Homesick Blues


Domingo, Outubro 05, 2003
antipeople
ou

(se sentindo Macabéa)